segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Poker Face


Cadê meu cigarro? Anda, porra, dá cá meu cigarro. Não adianta esconder o maço, tenho outro aqui no bolso. Se você não me disser onde está a porra do meu cigarro, pego o outro que tenho no bolso. Ou, pior, fumo todo o seu mentolado. Dá cá a porra do meu cigarro. Isso, melhor assim. Otário! Distribua logo essas cartas. Huummm... Quanto é a aposta? Eu dobro. Outra dose. Anda, outra dose, não tenho dinheiro agora, mas pago com o que vou ganhar na mesa. O otário que escolheu minhas cartas acertou na mão, o dealer cortou direitinho. Pode servir sem medo, hoje a gorjeta vai ser bem gorda. Não, otário, não é poker face, você acertou mesmo. Não acredita? Paga pra ver. Quanto é a aposta? Eu dobro. Correu? Viado! Você tá sentindo que acertou a mão, né, filho da puta?! E você? Vai correr também? Ah, tá duvidando da mão do viado ali, é? Paga pra ver, então. Pagou? Dobro de novo, otário! Bancou? Peraí, deixa eu acender o cigarro. Não, não quero esse mentolado de merda, já tô com o meu maço aqui. Empresta o isqueiro. Valeu. Bancou mesmo a aposta? Machão você, hein? All in. Tudo ou nada, negão. Ou bota todas as fichas na mesa, ou dá no pé! Correu também? Viado! E você? Ah, não tem pra bancar? E essa morena aí? Sua mulher? Bota na mesa! Foda-se, não quero seu dinheiro. Sua mulher é bem gostosinha. Se sua mão tá boa, bota a mulher na mesa. De qualquer modo você vai sair ganhando. Você não ama a sua mulher? Então, ou ela ganha uma bela trepada, ou você fica rico. Aceita? Huummm, machão, você, hein? Hoje você vai ser feliz, minha querida. Vamos lá, baixe suas cartas. Duas duplas? Otário! Full house nos teus cornos! Hoje você vai ser feliz, minha querida.

Pagou a conta com uma nota de cinqüenta e de gorjeta deu uma de cem para a menina que servia as mesas.

Nesta noite ele mandou a esposa dormir na sala e, no quarto do casal, com os filhos dormindo no cômodo ao lado, aproveitou o prêmio que ganhou na mesa de poker.

Aproveitou como se fosse a última, sem saber que de fato era.

Na noite seguinte, isso ele ainda não sabe, a mão não estará lá essas coisas.

Quando acabar o dinheiro, não haverá ao seu lado mulher para penhorar.

Mas aceitarão a escritura da sua casa.

Terá um Ás de paus, só isso.

Blefará, poker face.

Pagarão pra ver.

O outro terá duas duplas.

Perderá tudo num jogo baixo.

Otário!

A mesa e a casa.

Lembrará da noite anterior e pensará com um meio-sorriso triste nos lábios, “Até que valeu a pena...”.

A menina que serve as mesas não receberá gorjeta. Não dele.

Antes de o dia amanhecer, terminará sem teto e com uma bala na cabeça, disparada por ele próprio.

Mas, como amanhã ainda não chegou e ele não sabe de nada disso que lhe acontecerá, agora ele cantarola para seu prêmio, “...vem minha safada / vem minha bandida, minha descarada / quero um beijo gostoso dessa boca molhada / vem matar o desejo desse seu animal / Faz, faz, que é gostoso demais...”, e nesta noite ele aproveitou o seu prêmio.

Ô, se aproveitou.

4 comentários:

Jonatan Strange disse...

Por isso que não jogo, não bebo e não fumo. Mas, principalmente, não gosto de sexo. Só um pouco mentiroso...

Nayana. disse...

prefiro Bad Romance...

mundo da lu disse...

Nossa Don, esse foi sem dúvida o pior personagem que vc já criou!
Que cara filho da puta!

Bruna Rafaella disse...

Quu otário....
eu fiquei imaginando um velho
de barbas, nojento...
mereceu o final e foi pouco pra
ele, muito pouco, nojento!

ps- pq agente entra na história??
isso me vicia demais!!