sexta-feira, 31 de maio de 2013

Ao meu provisório amor eterno

Foi tudo muito rápido, eu sei.

Rápido pra mim, rápido pra ti, rápido pra nós.

Não vou dizer que foi sem querer, pois seria injusto com uma história tão bonita, ainda que breve, quanto a nossa.

Eu te quis, te desejei, te cobicei e te fiz minha.

Juntos, crescemos muito.

Ainda é lindo te ver ao meu lado na cama. Ás vezes tu dormes e nem percebes, mas eu fico ali no meu cantinho te vendo descansar, tão linda, tão pura e tão minha.

Mas agora tenho andado meio confuso, alguma coisa aqui dentro mudou.

O problema não é contigo, é comigo. Tu continuas linda, na verdade tu ficas mais linda a cada dia que passa, mas alguma coisa aqui dentro mudou. Não é contigo, é comigo. Sei que aí dentro muita coisa mudou também, uma revolução, um mundo de revoluções, talvez até mais e maiores do que as revoluções que eu sofri nesse curto período em que vivemos juntos, mas as minhas mudanças pessoais me dizem que é chegada a hora do adeus.

E não pense que é fácil para mim te dizer isso. Não é.

E não pense que digo isso por já não te amar.

Eu te amo de um jeito que não sabia ser capaz, difícil de mensurar, de verbalizar e tenho a mais plena convicção de que este amor nunca me deixará.

Nosso amor jamais acabará, jamais deixará de existir, mas a cada dia que passo percebo que já não dá mais para ficarmos juntos.

Fui muito feliz ao teu lado, meu amor, e repito, vou te amar pra sempre.

Mas, por mais dolorido que seja, admitamos, ambos sabíamos da provisoriedade do nosso amor.

Paradoxal isso, né?

Amor eterno, tanto quanto temporal.

Sou outro homem depois de ter te conhecido. Um homem melhor, sem dúvidas, graças a ti.

Mas a hora do adeus se aproxima.

Tenho certeza que ainda nos veremos novamente, que reavivaremos nosso amor não só em lembranças, mas também fisicamente, mas não por enquanto.

Foi tudo lindo, um sonho, mas agora eu quero escrever uma nova página na minha história.

E para ser ainda mais cruel do que admitir te amar e já não te querer mais, eu vou ficar, tu é quem vai partir. Não precisa se apressar em pegar suas coisas e ir embora, não precisa ser necessariamente hoje ou amanhã, mas também não se alongue demais. Tenho coisas novas para viver.

Obrigado por tudo, meu provisório amor eterno, mas agora você precisa partir.

Adeus, barriga da Pri.

Ou melhor, até breve.


sábado, 25 de maio de 2013

Só falta você chegar!


No último post que fiz, estávamos com 7 meses.

Agora, vejam só, o tempo voou e já completamos nossa trigésima oitava semana, dando entrada oficial naquele período em que qualquer hora, pode ser a hora da chegada da nossa filhota.

Nestes dois meses de ausência, um monte de coisa legal aconteceu.

Fizemos o nosso “Chopp de Bebê”, reunindo amigos e familiares para celebrarmos a chegada da nossa menina com muita brincadeira, presentes e gente querida.

Convidamos - e tivemos o prazer de ver nosso convite aceito – aqueles que serão os padrinhos da Clara, meus irmãos Deyse e Josué.

Compusemos uma marchinha para nossa filha.

Fizemos um lindo ensaio fotográfico com a minha querida amiga de longa data Priscila Resende. Sim, xará da mamãe!

Já lavamos as roupinhas da nossa filhota e já preparamos a malinha dela para a maternidade. Aliás, a mala que o papai vai usar para trocar nossa menina nos fraldários do mundo, pois a mamãe irá usar a sua mochila, mas eu fiz questão de comprar aquelas malas clássicas, grandona e cor de rosa, bem linda, para combinar com a lindeza da nossa Clarinha.

A vovó Teresinha já preparou as lembrancinhas do nascimento.

O pré-natal, que até a trigésima sexta semana era mensal, agora é semanal.

Fizemos um bolão entre os amigos para tentarmos adivinhar em qual dia a nossa menina vai resolver pular para o lado de cá da barriga.

Meus quatro irmãos nos deram de presente o que faltava, o carrinho e o bebê conforto.

E curtimos cada dia, cada novidade, cada descoberta com a mesma intensidade.

Foram os nove meses mais intensos da minha vida, os mais bonitos, os mais verdadeiros e, mais do que isso, sei que toda essa intensidade que vivenciamos é só a introdução de toda a transformação que vamos viver daqui pra frente.

Fomos privilegiados por uma gestação tranquila. Tiveram alguns enjoos, algumas infecções urinárias, mas nada que tenha prejudicado ou colocado em risco a nossa gravidez.

Eu sou um privilegiado por ter tido a sorte de passar por uma experiência tão linda ao lado de uma mulher tão especial quanto a Pri. Companheirismo, cumplicidade, amizade, carinho, amor, paixão, e agora MÃE, são palavras que, quando no dicionário, deveriam vir acompanhadas de uma foto da Priscilla. Esta mulher tão especial está todos os dias me ensinando a ser um homem melhor, me preparando para ser o pai que a Clara merece e vai ter.

Muito obrigado, meu amor!

Agora, nestes dias que são cheios de ansiedade, ficamos só observando a barriga – que está enorme! – percebendo como ela está começando a ficar mais baixa, sinal evidente de que não falta muito para pegarmos nossa pequena no colo.

Estamos felizes, estamos ansiosos, estamos apaixonados e, mais do que tudo, ESTAMOS PREPARADOS!

Clarinha, a vida do lado de cá da barriga nem sempre é fácil, mas é linda e pode ser muito divertida, só depende de nós. Pode vir tranquila, pois carinho, amor, proteção e incentivo nunca irão te faltar. Estamos de braços, corações, casa, nossas vidas estão de braços abertos para te receber. Já não falta mais nada, só falta você chegar!

Pode vir, nossa filha tão amada, que a casa é sua!



sexta-feira, 22 de março de 2013

7 Meses - Infecções, desejos, berço, sling e outras cositas más.



Caros leitores, este espaço anda assim meio abandonadinho, mas é por motivo de força maior. As últimas semanas foram agitadas, recheadas de infecções e troca de emprego, mas vamos a uma breve atualizada na vida da nossa menina.

Hoje nossa Clara completa 29 semanas de vida, ou seja, 7 meses e uma semana.

O tempo está voando!

Há duas semanas atrás, passamos por dias difíceis. A Pri enfrentou uma infecção braba na bexiga, noites em claro com febre nas alturas, ida para a maternidade no meio da madrugada para examinarmos nossa filhota mas, no fim, a mamãe guerreira aguentou o tranco, e depois de muita sopinha e compressas de água fria acrescidas de pitadas de antibióticos, tudo voltou ao normal. Essa ida a maternidade nos fez ainda mais felizes por termos encontrado os nossos obstetras, pois o plantonista que nos atendeu naquela oportunidade foi de doer. Imagine você, um barrigão de 7 meses, marido e mulher vão a uma MATERNIDADE no meio da madrugada, chegamos ao local informando o nome dos nossos obstetras, dizendo que eles nos solicitaram que fôssemos até ali para um primeiro atendimento, e depois de cinco minutos de conversa o tal plantonista, ele pergunta: “mas tu estás grávida?”. Não, animal, ela está com vermes, por isso a barriga tá desse tamanho. Mas ok, atendimento de muita má vontade devidamente realizado, para em seguida, aí sim, nossos sacro santos obstetras nos darem toda a atenção do mundo. Vou te dizer, meu amigo, você está grávido e mora em Floripa? Cara, procure os obstetras Marcos Leite e Pablo Queiroz, eles são muito fodas!!! Durante todo o período de recuperação nos ligaram diariamente, sempre monitorando a febre e a evolução da melhora, e no fim tudo ficou bem. Agora as duas estão ótimas, com um apetite feroz!

Semana passada vieram alguns desejos das minhas meninas, uma vontade noturna incontrolável, algo entre 23:30 de domingo, de comer 6 esfihas de carne do Habib’s. Sim, 6 esfihas. O desejo veio até quantificado. E o papai aqui, que tinha passado o domingo trabalhando na montagem de uma nova loja, entrou no carro e foi atrás das tais 6 esfihas.

Acontece que o Habib’s daqui conseguiu ficar sem esfihas de carne. Fiquei meia hora na fila do Drive Trhu para, ao chegar a minha vez, a atendente me informar que acabaram as esfihas de carne. Ligo para a minha grávida, e ela substitui as esfihas por coxinhas e kibes da confeitaria Tuzzi, e lá vou eu. Domingão, Kobrasol bombando, Tuzzi lotada, vou pedir os salgadinhos e o gerente me informa com o sorriso amarelo que a cozinha já fechou. Sem brincadeira, a confeitaria lotada, e eles fecharam a cozinha. O jeito foi improvisar, passei por 3 postos de gasolina até que num deles, a loja de conveniência ainda tinha duas coxinhas com a bunda meio tostada pela espera de alguma alma caridosa que não as deixasse dormir no lixo. Não era exatamente o que minhas meninas queriam, mas deu para quebrar um galho.

No dia seguinte, aí sim, consegui voltar pra casa com as tão sonhadas esfihas do Habib’s. Foi com um pouco de atraso, mas saciei o desejo da minha grávida, logo, se nossa Clarinha nascer com cara de árabe ela não vai poder culpar o desejo de domingo a noite.

Nos aspectos práticos da nossa linda gravidez, neste período de ausência compramos o bercinho da nossa filhota, daqueles de encaixar na cama dos pais, e também um chiqueirinho e a banheira com trocador, todos decorados com lindas girafinhas. Não sei se já tinha dito isso por aqui, mas o quarto da nossa Clarinha será todo decorado por lindas girafinhas. O quarto ainda não está montado, mas isso será fácil.

Compramos também o nosso primeiro sling, alvinegro é claro, como manda o bom gosto Figueirensístico. Não vejo a hora de passear por aí com minha macaquinha grudada em mim.

A mamãe já fez um levantamento das roupinhas que já temos – e já temos muitas! – para sabermos o que precisamos comprar para os primeiros dias. Na próxima semana já deixaremos prontas nossas malas para quando partirmos. Pelos exames feitos até aqui, a probabilidade da nossa filhota nascer prematura é mínima. Tirando a infecção de duas semanas atrás, tudo transcorreu muito bem tanto para a mamãe quanto para a filhota, logo, se está bem para as duas, está ótimo para mim! Mas, mesmo assim, manda a prudência que no sétimo mês as coisas já estejam devidamente organizadas.

Enfim, as coisas estão ótimas, minhas meninas estão cada dia mais lindas e, por mais que tenha estado meio ausente devido as doses cavalares de trabalho diário, a vida nunca esteve tão bonita!

Saravá, mizifios! 

sexta-feira, 1 de março de 2013

Pra quando a Clarinha chegar

Acabo de ouvir a nova música de Rodrigo Daca.

Estou aqui pensando em algumas palavras para adjetivar a canção, mas “linda” é a única que me ocorre.
O Daca é velho e chato, desses rabugentos que passam os dias reclamando da artrite, mas quando se mete a compor, tem uma capacidade rara de criar canções delicadas, sensíveis, emocionantes. É velho, é chato, é rabugento, mas talentoso como poucos.

Por que trouxe esta música para meu Diário do Papai?
Por que houve um momento em que eu não sabia ao certo o que queria, nem onde iria chegar, se é que chegaria.

Por que quando fiquei sozinho, o meu lar foi uma tarefa dura, devo dizer.
Por que mesmo quando eu estava nessa estrada meio sem rumo, encontrei meu norte não em qualquer lugar, mas nela, na Pri.

Por que eu e a Pri tivemos a inteligência necessária para no outro se encontrar.
Por que eu e a Pri tivemos a paciência necessária para no outro descansar.

E, assim, preparamos o caminho e já temos separado um lugarzinho no banco de trás.
Agora só falta enfeitar o quarto, a sala e a cozinha pra quando a Clarinha chegar.


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O privilégio de não ter tido babá!

Desculpem a ausência, queridos leitores, os últimos dias foram corridos, assumi alguns compromissos que acabaram me afastando um pouco deste espaço que gosto tanto.

Bom, voltemos então à ativa.
Hoje, depois do almoço, a Pri estava dando uma passeada pelo Facebook e viu um post de uma amiga relatando que, num local qualquer, haviam 9 babás com as respectivas crianças para as quais fora contratada as suas supervisões, e apenas ela – a amiga - como mãe. No mesmo post, uma outra amiga querida disse que, certa vez, indo passear no Horto do Córrego Grande, ela barriguda do segundo filho e brincando com a primeira filha naquele lugar lindo, observou três mães sentadas na sombra, e suas crianças brincando cada uma com sua respectiva babá.

Nada contra, quem sou eu para julgar alguém.
Ficamos apenas pensando no que aquilo significava, o que aquilo representava tanto para a criança quanto para a mãe. Qual o impacto de se terceirizar o cuidado e a proximidade com a criança?

Sei que muitas vezes uma babá é quase imprescindível, mas não me parece ser o caso das três mães sentadas à sombra.
Um momento como esse é tão singelo e bonito, se estabelece tanta cumplicidade, tanto carinho, que fiquei com pena das mães por não estarem vivendo aquilo. Das crianças também, crianças adoram quando seus pais estão perto, estão para eles e mais nada nem ninguém.

Inevitavelmente, fiz uma viagem instantânea à minha infância.
Tive uma infância maravilhosa, cresci num quintal cheio de árvores frutíferas, plantava alface e rabanete com minha mãe, via meu pai fazer brinquedos de madeira, andava descalço, tomava banho de chuva, descia o morro de rolimã, roubava goiabas do seminário que tinha perto de casa, enfim, parece história do Chico Bento, mas nossa casa ficava num local bem urbanizado, pertinho da universidade federal. Como disse no começo do parágrafo, uma infância maravilhosa!

Mas, por estar associando minhas memórias com a cena das mães com as babás, busquei nos arquivos do meu HD cerebral as minhas melhores memórias com meus pais.
Mesmo que quisessem, por terem cinco filhos com pouca diferença de idade entre um e outro, não teriam condições financeiras de contratar uma babá.

Que bom!
Minhas melhores lembranças não teriam espaço para uma babá, ou, caso houvesse uma, não seriam tão boas quanto são as que tenho com meus pais.

A presença de uma babá jamais substituiria uma manhã de fim de semana, quando meu pai acordou cedo e fez um robô de madeira para mim, maior do que eu. Eu o vi fazendo, escolhendo as madeiras, serrando, martelando, e eu ganhei o meu robô de madeira maior do que eu. Eu o ajudei a pintar o robô, eu fiz um bigodinho de Salvador Dali (não, eu não sabia quem era Salvador Dali, apenas achei que ia ficar engraçado, e ficou), e batizei meu robô de madeira de Jean Pierre. Meus amigos tinham carrinhos de controle remoto, mas se divertiam mesmo era com meu robô de madeira. Fiz milhares de viagens intergalácticas com meu robô de madeira. Ele foi meu co-piloto numa expedição submarina que fizemos certa vez, para tentarmos descobrir onde ficava a casa do Aquaman. Quando eu tinha medo na hora de dormir, deixava o meu robô de madeira perto da janela para que ele evitasse que alienígenas entrassem no meu quarto enquanto eu dormia e me abduzissem. A porta não precisava cuidar, pois do outro lado dela estavam meus pais, minhas irmãs, se o medo apertasse eu correria para a cama da minha irmã mais velha. Sempre que eu tinha medo de morrer (sim, eu era uma criança meio hipocondríaca), a única coisa que me acalmava era dormir com minha irmã Bebel. E ela deixava, sempre deixou. Acho que se eu ficar com medo hoje, e pedir, ela ainda deixa. Não sei se uma babá me daria estas lembranças tão marcantes.
Teve outra vez, também com o meu pai, que eu já estava virando um mocinho e minha mãe falou para o meu pai que estava na hora de ter uma conversa de homem para homem comigo. Nós fomos. Fizemos de tudo, menos a tal conversa para dizer o que é sexo. Ele sabia que eu já sabia. Não lembro como soube, mas um dia eu soube. Saímos só eu e meu pai, fomos ao cinema, assistimos “A Malandrinha” no Cine Carlitos. Depois, fomos ao Mac Donald’s, recém inaugurado na cidade. Eu tinha curiosidade, ele me levou para conhecer. Foi extremamente frustrante, para mim. Vi a foto de um sanduíche lindo, e me serviram um negócio pequeno e amassado. Poucas vezes depois desse dia voltei ao Mac Donalds. Não fazia sentido comer aquele sanduíche sem graça, se minha mãe fazia sanduíches lindos para nós, enormes, com bifes inteiros dentro de pães de trigo e com alface do quintal. Foi um dia especial, só eu e o meu pai. Uma babá poderia me levar nos mesmos lugares que ele me levou, mas não seria a mesma coisa. Por mais querida, carinhosa e cuidadosa que ela fosse, não seria o meu pai. Mas, para minha sorte, foi o meu pai!

Mas se me perguntassem qual a melhor coisa da minha infância, diria sem pestanejar um segundo: O SEQUESTRO!
Sim, eu fui sequestrado quando era criança.

Mais de uma vez, inclusive.
Para ser fiel aos fatos, várias vezes!

Quando minha mãe tirou carteira de motorista, vez ou outra ela chegava para mim e para meu irmão e dizia: Hoje eu vou sequestrar vocês!
Aqueles eram os melhores dias!

Saíamos eu e meu irmão com minha mãe, sem saber para onde ela iria nos levar, mas com a certeza de que sempre seria num lugar que adoraríamos ir.
Íamos à Ponta do Leal – onde hoje rola a discussão sobre virar área de preservação permanente, parque público ou hotel de luxo e, enquanto não se decidem, funciona como um ótimo lugar para se fumar crack – e passávamos a tarde toda brincando nos troncos de árvore, no mato, nas paredes caídas daquilo que um dia foi uma construção. Depois íamos na sorveteria Baraúna tomar banana split. E brincávamos, corríamos, nos arranhávamos e depois, no fim do dia, voltávamos pra casa imundos de tanto brincar e felizes como toda criança merece ser.

Hoje, prestes a receber minha primeira filha, tenho a total consciência de que ela vai precisar de muita coisa vinda de mim, menos de uma babá.
E não, não estou falando mal de babá ou dizendo que elas não são necessárias, muitas vezes elas são a salvação da lavoura. Estou afirmando apenas que, fossem meus pais naquele horto, eles não estariam sentados na sombra, eles estariam brincando comigo, e isso me faria muito feliz!

Se eu for presente e participativo como foram meus pais, se conseguir deixar na memória da nossa Clarinha lembranças tão boas quanto as que meus pais deixaram na minha, vou ter certeza de ter feito meu papel direitinho.
Mãe, pai, muito obrigado! Sou um sortudo, um privilegiado por ter nascido de vocês, tanto quanto a Clara é uma baita duma mini-sortuda por ter avós tão legais!


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Licença paternidade de 90 dias - Fazendo a minha parte!


Desde o dia 09/05/2012, tramita na câmara um projeto de lei de autoria do deputado federal Felipe Bornier (PDS-RJ), que propõe aumentar de 5 para 90 dias a licença paternidade.
Como costuma acontecer com outras iniciativas desta natureza, o projeto está engavetado desde então.

Para fazer um pouco mais do que escrever aqui que gostaria de ter direito a uma licença maior quando a Clara nascer, na última sexta feira enviei para TODOS os deputados federais, um email solicitando apoio nesta causa.
Joguei o anzol, agora vamos ver a resposta na hora que a linha começar a puxar.

Manterei todos vocês informados sobre quais deputados responderam ao email, qual o posicionamento deles a esse respeito, farei uma análise por partido/região/gênero, e ficarei em cima para que desengavetem o projeto e o coloquem em votação.
Feito isto – Como diria a Clara da Ligia e do Frank: EU VOU CONSEGUIR! – Vou comparar o número de votos favoráveis, com os e-mails positivos que tenha recebido.

Segue o e-mail enviado aos engravatados de Brasília.

 “Caro Deputado,

Como cidadão cumpridor das minhas obrigações, e por acreditar que podemos mudar a realidade do nosso país através de representantes eleitos sérios e comprometidos com os interesses daqueles que o elegeram, lhe envio esta mensagem.

Solicito o vosso apoio para uma causa que tem sido constantemente postergada na câmara dos deputados.

Em 09/05/2012, foi apresentado à Câmera o Projeto de Lei N. 3831/2012, de autoria do Deputado Felipe Bornier (PDS-RJ), que prevê o aumento da licença paternidade dos atuais 5 dias, para 90 dias.

Este período é importantíssimo para que nós, pais ativos e participantes na gestação, cuidado e educação das nossas crianças, possamos dar todo o suporte às nossas companheiras nos primeiros meses de vida dos nossos filhos.

Certo do seu compromisso com o bem comum, solicito seu total apoio nesta causa que beneficiará não apenas um grupo da nossa sociedade, mas todas as famílias brasileiras.

Cordialmente,

David Mattos.”

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Por um mundo com mais hippies, baderneiros e vagabundos!



Educação é a chave para tudo!
Ao meio dia assistimos uma reportagem mostrando o estado calamitoso que se encontram as escolas estaduais, totalmente insalubres, inseguras, inadequadas para receberem crianças e adolescentes.

A noite, assistimos reportagens sobre ônibus sendo incendiados, falta de segurança e uma total inoperância das forças públicas em tomarem atitudes que resolvam a situação.
As duas coisas estão intimamente ligadas. A reportagem da noite é consequência direta da reportagem do meio dia. Mas vivemos reféns de um governo que sucateia a educação e finge que está tudo bem com a segurança, não assume a responsabilidade por nada, apenas aceita passivo os infortúnios a que a população está passando. E a passividade se incorpora na nossa cultura como um ranço, uma sujeira que de tão impregnada, nos enche de preguiça de esfregarmos com força, talvez doa, mas estar limpo é necessário, é o mínimo.

Por que falo isso no meu blogue de paternidade?
Por que para ser o pai que a Clara merece, preciso melhorar o cidadão que tenho sido. Eu a trouxe a esse mundo, tenho a obrigação de melhorá-lo de alguma forma.

Acontece que a nossa cultura da passividade, critica e condena qualquer movimento que se oponha ao status quo da pasmaceira em que vivemos.
Nossa cultura passiva que aceita quieta quando o governador aparece sorrindo dizendo que está tudo sob controle, logo após o repórter noticiar o centésimo atentado terrorista em quinze dias, é a mesma que propaga a cirurgia cesariana como uma maneira normal de se nascer.

Não é.
A aceitação acomodada destas duas falácias, advém da nossa passividade em não nos educarmos a respeito de tudo o que está acontecendo de grave ao nosso redor, e fingimos que é assim mesmo que tem que ser, pois mudar dá muito trabalho.

Nada está sob controle, nada está tranquilo, toque de recolher do transporte público não é normal, tanto quanto bisturis e intervenções de toda sorte(ou seria azar?) também não são a maneira ideal de se trazer uma criança ao mundo.
Por que misturei as coisas?

Por que me dei conta que as mesmas pessoas que chamavam de vagabundos e baderneiros os estudantes que se mobilizaram, tiraram suas bundas das cadeiras e foram às ruas reivindicar um bem para toda a coletividade, combatendo as abusivas políticas de preço das empresas de transporte público na grande Florianópolis, são as mesmas que hoje me chamam de hippie e alienado pela minha defesa do parto natural e humanizado.
O cerne dos dois problemas é o mesmo: EDUCAÇÃO!

Não nos instruímos a respeito, não fomos ensinados a refletir e a ponderar. Aprendemos simplesmente a aceitar o que se tem estabelecido como senso comum e ponto final. Não é assim que deve ser. Devemos pensar, devemos questionar, devemos dizer, contradizer, devemos agir.
Os interesses única e exclusivamente econômicos fizeram a grande maioria da população acreditar que uma intervenção cirúrgica é melhor do que algo natural. O médico que te sugere marcar a cirurgia cesariana, não está preocupado com o seu bem estar, está preocupado com ele, com o próprio bolso, única e exclusivamente com seus interesses pessoais. A cirurgia cesariana só é melhor do que um parto natural em duas situações:

1 – Para o médico que está cagando e andando para o fato de que aquele é um momento da mãe, do pai e da criança, e pensa apenas na sua comodidade e no ganho financeiro em escala;
2 – Quando um dos dois reais protagonistas, mãe ou bebê, correm alguma espécie de risco.

Mas nos disseram outra coisa.
Disseram para a mamãe que ela pode escolher o signo e até o ascendente do seu bebê, veja só que coisa boa, basta ela agendar a data do nascimento.

Ninguém falou que se a criança nascer com data e hora marcada, ela está nascendo prematura. Não disseram que a última etapa do desenvolvimento do aparelho respiratório da criança é exatamente o nascimento, e antecipar o momento em que ambos os corpos – mãe e filho – determinariam como correto, vai ocasionar naquela criança uma probabilidade infinitamente maior de desenvolver uma série de problemas respiratórios do que uma criança nascida naturalmente.
Disseram que gravidez planejada envolve também o planejamento do parto, a mãe pode escolher o dia do nascimento da vovó para a nova netinha, ou o pai pode coincidir o nascimento do filho com o aniversário do seu time do coração. Que legal!

Ninguém falou que através de uma intervenção cirúrgica agendada, a mãe vai ter muito mais dificuldade de amamentar. Ninguém falou que o corpo da mãe está maturando junto com o da criança, e que a ocitocina liberada na hora do parto será uma das grandes responsáveis pela produção do leite, liberará a prolactina para que a mãe possa iniciar de uma maneira mais tranquila e menos dolorosa, o lindo gesto da amamentação.
Ao invés de alertarem a mãe que uma cirurgia cesariana vai dificultar bastante o início da amamentação, disseram que o hospital oferece um ótimo leite em pó para o bebê.

Disseram que parto normal dói e que a cesariana é ótima, a mulher não sente nada.
Ninguém falou que a maior parte da dor está ligada a relatos de mulheres que sofreram inúmeras violências obstétricas, intervenções desnecessárias, sofreram muito com isso e foram convencidas de que aquilo era parto normal. Ninguém falou que não precisa ser assim.

Ninguém falou que cesariana é uma cirurgia, e como tal, traz consigo um alto risco de contaminação, de infecção hospitalar.

Hoje, seis meses depois de ter engravidado, fico com pena quando ouço alguém dizer que vai se submeter a uma cesariana eletiva. Por vários motivos.

Por que não tiveram acesso às informações que estou tendo.
Por que médicos gananciosos, inescrupulosos e obsoletos as convenceram de que aquele é o melhor caminho.

Por que aceitaram passivos o que lhes foi passado por senso comum, sem questionar, sem averiguar, sem observar com empatia o outro lado da moeda.
E talvez alguém que esteja aí lendo e que defenda a cirurgia cesariana, esteja pensando que eu não estou sendo empático para tentar entender os motivos desta opção.

Pelo contrário, eu não só exercitei o me colocar no lugar do outro, como eu estive no outro lugar.
Até engravidarmos, nem no meu pior pesadelo cogitaria um parto natural. Defendia a cirurgia cesariana e ponto final.

Mas, ao engravidar, veio a necessidade de me instruir a respeito de tudo o que cercaria a chegada da minha filha, e nisso, eu me eduquei. A Priscilla teve a generosidade de me pegar pela mão e me conduzir num mundo que eu não fazia ideia que existia, me ensinou, me mostrou através de livros, textos, artigos, pessoas, profissionais, o quão equivocada era a minha concepção de nascimento.
E sim, hoje, me tornei um “hippie chato alternativo” para muitas pessoas.

Tanto quanto há alguns anos, aqueles que ainda hoje são rotulados de baderneiros e vagabundos por muita gente, garantiram a estas mesmas gentes o direito de transitarem de ônibus pelas ruas e avenidas da nossa cidade com um valor de tarifa bem menor do que aquele que pretendiam praticar  a prefeitura e empresas de transporte público.
Precisamos nos instruir, precisamos nos educar.

Assim, na hora de votar saberemos fazer nossas escolhas de maneira mais acertada.
Opções de gestores públicos melhores do que as que hoje temos, hão de surgir se todos nos educarmos mais e melhor.

Parecem assuntos totalmente distantes um do outro, mas não são tão longínquos assim, ambos caem no erro pela passividade e falta de educação.
Não se permita deitar no conforto da passividade. Se instrua, leia, busque, se informe.

O que está prestes a acontecer na sua vida não é uma coisa qualquer, é o seu filho que vai chegar. A maneira como você vai recebê-lo, fará uma grande diferença na vida dele desde o primeiro momento fora da barriga da mamãe.
Nascer é algo muito mais bonito do que um médico que segura numa das mãos o bisturi, e na outra ergue o seu filho de cabeça para baixo, segurando-o pelos pezinhos. Seu filho não é um pedaço de carne qualquer, não é uma paleta, um coxão mole, uma alcatra. Ele é seu filho, preserve isso.

Unamo-nos, hippies, alienados, baderneiros e vagabundos, no fim das contas, somos nós que mudaremos o mundo para melhor.
Botemos o nosso bloco na rua!

"Para mudar o mundo, é preciso mudar a forma de nascer"
Michel Odent

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

6 Meses!!! Quesito evolução: DEZ, NOTA DEZ!


Parece que foi ontem que vimos naquele palitinho duas fitas cor de rosa, mas nossa filhota já está com 6 meses de vida dentro da barriga da mamãe!!! 2/3 da nossa gravidez já passou, e agora entramos no último trimestre, em pouquíssimo tempo, daqui três meses já teremos nossa menina nos nossos braços!

Para celebrar os 6 meses da nossa Clarinha, ontem fizemos o nosso segundo ultrassom. Que orgulho da nossa menina!
Ela está linda, perfeita, tirou nota 10 em todos os quesitos e termina o carnaval como a grande campeã do papai e da mamãe. Sua evolução foi muito melhor do que Vila Isabel, Mangueira, Unidos da Tijuca, Beija-flor, mais do que todas as escolas juntas, ganhou com louvor o Estandarte de Ouro do médico ultrassonografista.

E na avenida da barriga da mamãe, desfilam 30 centímetros e 616 gramas de puro charme, elegância e uma beleza de tirar o fôlego! Nossa filhota tá uma mocinha feita! Conseguimos ver com detalhes toda a nossa pequena, seus pezinhos, mãozinhas, o rostinho e – sou obrigado a admitir sem falsa modéstia – ela é a cara do papai!

 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

23 semanas, o quinto pré-natal e a dieta do papai.

Hoje nossa Clarinha completa exatas 23 semanas, e para comemorar o seu aniversário de mais um mês de vida na barriga da mamãe, fizemos também nosso quinto pré-natal.
A cada pré-natal, é mais emocionante escutarmos o coraçãozinho da nossa menina, cada vez batendo mais forte e alto, hoje em ritmo de samba, esquenta para o carnaval.

Na consulta anterior fizemos uma verdadeira sabatina com o Dr. Marcos Leite, tínhamos lido tanta coisa que milhares de dúvidas haviam surgido. Ele nos esclareceu todas com a maior calma do mundo. Hoje, a consulta foi com o filho dele, Dr. Pablo Queiroz, tínhamos também algumas dúvidas, mas nada perto da infantaria pesada que despejamos no Marcos Leite.
Dúvidas devidamente esclarecidas, medições de rotina realizadas e nós três completamos mais um mês com um excelente aproveitamento, Clarinha crescendo no ritmo certo, a Pri ganhou o peso exato que uma grávida saudável deve ganhar – 1 kg por mês – pressão em dia, tudo nos conformes, nota 10 para minhas meninas, cada dia mais lindas.

Agora, 10 com 3 estrelinhas, perdoem minha falta de modéstia, quem merece sou eu!!!
Eis que desde a última consulta, resolvi entrar numa dieta para chegar no nascimento da Clara em forma, sem esta famigerada barriga que tem me acompanhado nos últimos meses.

No nosso pré-natal de janeiro, eu estava com 82kg. Neste, já estou com 79,250kg, quase 3kg a menos em um mês, isso que nem consegui fazer exercícios em função do meu joelho podre, desde que caí de moto. Tudo apenas na base de readequação alimentar – já estamos com um cardápio super saudável e extremamente saboroso, para sermos bons exemplos e iniciarmos nossa menina numa alimentação legal -, corte de cerveja e refrigerante. A meta é estar com 72kg no nascimento da minha filhota. Ou seja, tenho que perder 1,8kg por mês, praticamente tenho que perder o peso que a Priscilla irá ganhar até o fim da nossa gestação, faremos uma troca. Além da dieta alimentar, solicitei ao médico uma requisição de exames para fazer um check-up geral e, assim, estarei em forma para deixar minha filha cheia de orgulho!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Camarada do Papai! - Pelo livre acesso às fraldas sujas dos nossos bebês!


Quando escrevi pela primeira vez falando sobre a licença paternidade, minha querida amiga Xixa me deu uma sacodida legal. Ela esfregou na minha cara toda a minha passividade e conformismo com tudo o que é estabelecido. Sim, sou assim, costumo reclamar sem fazer nada de mais concreto para que o que me incomoda mude, apenas reclamo.
Eis que, desde então, quando penso em algo que me incomoda, penso: “O que a Xixa faria?”, e busco um modo concreto de contribuir para que as coisas mudem de uma maneira positiva.

Dia destes postei no Facebook uma charge que escancarava o despreparo da maior parte dos estabelecimentos comerciais para receberem os Novos Pais. Embora alguns deles possuam o fraldário separado dos banheiros, na maior parte dos estabelecimentos o fraldário fica no banheiro feminino, o que impossibilita muitos pais de cuidarem dos seus filhos adequadamente.
E quando a mãe estiver comendo e o bebê precisar ser trocado?

E se o pai for sozinho com o seu filho ao Shopping e precisar trocá-lo?
E se for um casal gay, dois homens que adotaram uma criança, como farão?

Queremos participar mais, para tanto, temos que ajustar o mundo para que ele nos comporte. Nós, pais ativos, temos que reformar determinadas coisas no mundo para que possamos exercer plenamente nosso novo modelo de paternidade. Seja através de ideias ou ações simples e práticas como esta, exigirmos também o livre acesso aos fraldários do mundo!
Legal, discurso lindo, mas e de prático, o que será feito?

A partir deste final de semana eu, a Pri e a Clara iremos a alguns Shoppings, Supermercados e afins, da grande Florianópolis, e averiguaremos in loco quais estabelecimentos estão adequados à participação dos pais nesta que é uma tarefa simples, mas imprescindível. Fotografaremos todos, e colocarei aqui no blogue os que estão preparados para receberem os novos e participativos pais, e também aqueles que ainda não se adequaram a esta realidade.
A todos aqueles que não possuírem um fraldário acessível aos pais, enviarei um e-mail informando da limitação, solicitando alterações e, tão logo me respondam, publicarei também as suas respectivas respostas.

A todos aqueles que estiverem adequados e acessíveis aos pais, darei a maior honraria que a liga dos Novos Pais pode conceder à estabelecimentos comerciais, o selo: “Camarada do Papai!”
E aí, Xixa, tô melhorando?

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Gênesis

Um monte de gente estranha num barzinho.

No deck, o carinha está sozinho na mesa, pensando em terminar rápido a cerveja que pediu para celebrar a chegada das suas ansiadas férias, pois há um rapaz com violão em punho contratado para entreter os clientes que insiste em rechear seu repertório com os maiores sucessos do sertanejo universitário e reggae-gaúcho-mela-cueca. Que porra eu tô fazendo aqui?, pensa o carinha.
Nisso, chega uma turma animada, saindo da faculdade que fica em frente ao barzinho, happy hour, é sexta-feira, oras, eles merecem uma cervejinha depois de uma semana tão puxada.

Não há mais mesas disponíveis no deck, a turma se acomoda em mesas de plástico enfileiradas no corredor da galeria comercial onde fica o barzinho.
Na turma há uma menina de cabelos cacheados e óculos de aro verde.

Eu conheço aquela ali, pensa o carinha. E, no mesmo instante em que pensa isso, pensa também que pode ser interessante ficar mais um pouquinho, apesar da trilha sonora pouco apropriada para suas malévolas intenções.
O carinha saca um guardanapo, pede uma caneta para o garçom, escreve o seu nome e logo abaixo do nome: “Teu futuro marido: 9128-XXXX”.

O garçom leva o guardanapo para a menina, ela o recebe com surpresa, lê, dá uma risada, olha como quem pergunta: “que porra é essa?”, e o garçom aponta para o carinha. O carinha ergue o copo de cerveja como quem sugere um brinde. Ela ri, também o reconhece. Faz tempo, mas lembra bem quem é.
Cantadinha safada, né?

Coisa de bêbado bagaceiro de boteco, né?
Mas, vou te dizer, ela não só guardou o guardanapo, como ligou para o carinha.

Acredite se quiser, onze meses depois daquela sugestão de brinde no boteco, ambos entrelaçavam os braços para brindarem com espumante o casamento consumado, cercados por seus familiares e alguns poucos e especiais amigos.
Doze meses depois daquela insinuação de brinde, lá no boteco, um mês após o brinde de espumante no casamento, ambos brindaram sozinhos com saquê, na sacada do apartamento provisório, pois decidiram que estavam prontos e iriam sim ter um filho, apesar do tempo aparentemente curto desde o bilhete rabiscado no guardanapo.

Quinze meses depois daquela insinuação de brinde, lá no boteco, quatro meses após o brinde de espumante no casamento, três meses após o brinde de saquê na sacada, ambos brindaram com coca cola no apartamento improvisado, pois surgiram dois tracinhos cor de rosa no exame comprado horas antes na farmácia, o que indicava que já não eram apenas os dois, havia uma terceira pessoinha ali, junto deles, naquele apartamento provisório.
Historinha mais água com açúcar, né? Parece esses romances bobos de rodoviária.

Eu sou o carinha, muito prazer.
A Pri é a menina de cabelos cacheados e óculos, embora hoje já tenha trocado a cor da armação.

A Clara, os dois tracinhos cor de rosa no exame de farmácia, hoje uma moça de quase vinte centímetros dentro da barriga da mamãe.
E quando ela disse com os olhos cheios de lágrima, saindo meio atordoada do banheiro: “Meu amor, estamos grávidos!”, foi muito mais legal do que quando deus disse: “Faça-se a luz”.

A gente não precisou de barro nem de costela para fazer surgir a vida, só de amor e um guardanapo. 
 
 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O "Novo Pai", esse cara eu quero ser!


Olá, cavalheiros.
Falemos de nós, deixemos elas um pouco de lado por enquanto. Meninas, será por pouco tempo, prometo.

Publiquei esses dias um texto que saiu na revista TPM, tratando do “Novo Pai”, um texto muito legal, mas como sempre, escrito por uma mulher.
E nós, o que pensamos disso tudo?

Será que temos pensado nisso o suficiente?
Quando mudei o foco deste blogue, passando dos contos para o Diário do Papai, o fiz com o intuito de criar conteúdo para que homens-pais, pudessem encontrar-se nele, pois existe pouca coisa sobre nosso papel na vivência da chegada de um filho. Aprendemos meio que no facão, como pessoas de olhos vendados com nossas companheiras por perto indicando a direção, “mais para a esquerda, mais para direita, tá quente, tá frio”. E isso, na verdade, não se resume a paternidade em si, se resume à maneira com que nos relacionamos desde sempre com as mulheres ao nosso redor. Desde o sexo, precisamos das orientações delas para aprendermos a fazer direito. Conosco é fácil, é só a mulher chegar perto do camarada com qualquer parte do seu corpo que tá tudo certo. Com elas, não. Para nós, é bom até quando não estamos afim. Para elas, não. É preciso clima, é preciso querer, é preciso paciência, é preciso calma, é preciso aprender os traquejos, os meios, os atalhos, para que no fim das contas a experiência valha a pena para os dois, e não se resuma a um cara satisfeito roncando virado para o outro lado da cama, enquanto ela está ali, na metade do caminho.

E assim como precisamos das mulheres para aprender a ser na cama aquilo que dizemos aos amigos do bar que somos, precisamos aceitar que serão elas quem nos ensinarão a sermos os pais que nossas crianças precisam.
Isso por culpa da nossa cultura machista que, desde sempre, nos ensinou que no passado bastava um tacape na cabeça da mulher para conquistar a fêmea desejada, e passamos os anos e eras tentando disfarçar a forma do tacape, alguns físicos, outros psicológicos, mas, por apegados que somos à ele, temos dificuldade em deixá-lo de lado e admitirmos que precisamos de atitudes mais femininas para chegarmos ao título de “Novo Pai”.

A força não está com Darth Vader, com Lucky Skywalker ou com o mestre Yoda, eles são homens. A força está com a Princesa Léa, ela é a mulher da parada.
Elas têm coragem de chorar. Nós, nem isso.

E, talvez por isso, por nos acovardarmos na nossa condição de coadjuvantes, deixamos nas mãos delas o que é ser um bom pai, como se já não lhes bastasse o desafio de tornarem-se boas mães.
Meus caros, já estamos bem crescidinhos, tá na hora de nós mesmos encontrarmos nossos caminhos, termos coragem de defendê-los diante dos machismos retrógrados da maior parte da nossa sociedade, que ainda enxerga o homem como provedor e a mulher como mantenedora, e assumirmos com orgulho nossa paternidade ativa.

Sempre com a ajuda e tutoria delas, mas podemos mais do que temos feito.
Como dizem os textos escritos por mulheres, paternidade ativa é mais, bem mais do que revezar a troca de fraldas. A paternidade ativa começa antes do filho nascer.

No meu caso, a gravidez foi planejada, o que facilita tudo, inclusive a minha participação.
Sim, pois uma gravidez planejada já pressupõe que houve o consentimento de ambos, ou seja, começamos a nos fazer ativos antes mesmo da concepção.

Planejar uma gravidez, não significa parar de tomar anticoncepcional, parar de usar camisinha ou qualquer outra espécie de tratamentos contraceptivos. Planejamento parte de uma conversa séria, madura, adulta. Estamos preparados? A sua companheira vê em você alguém preparado para ser o pai do seu filho? Você vê na sua companheira alguém preparada para ser a mãe do seu filho? Vocês são ótimas pessoas, mas o casal que formam está maduro o suficiente para trazer ao mundo uma criança? E maturidade não é tempo de relação, quilometragem rodada e afins. Isso pode contribuir, mas não é preponderante. Maturidade é saber que os dois estão numa sinergia tal, que ambos saibam que ao seu lado existe alguém capaz de segurar o tranco quando as coisas não correrem bem. Maturidade significa ter a confiança de que, mesmo que a relação homem-mulher que existe no momento da gravidez um dia acabe, isso não afetará a relação familiar que se criou.
Se um dia vocês se separarem e a sua mulher vir a se casar com outro cara, ele pode até ocupar o lado da cama que antes era o seu, na casa que antes era a sua, assar uma picanha na churrasqueira que antes você relaxava aos sábados, mas na cabeça da criança, o lugar de pai é seu. O outro pode ser um cara legal, mas você tem que ter a maturidade e atitude suficientes para, mesmo sem estar mais ao lado daquela mulher a quem um dia você jurou amar pra sempre, saber que não deverá delegar a ele o referencial masculino que sua criança precisa.

No planejamento, devemos tomar a consciência de que a partir do momento que aquela criança vir ao mundo, nós seremos o seu exemplo, o seu modelo. E aí, meu amigo, você é um bom exemplo a ser seguido? Será que vale a pena trazer ao mundo outra pessoa com atitudes parecidas com as suas, ou suas atitudes já são cagadas o suficiente para este mundo, não precisa de mais alguém as replicando? Você está disposto a deixar de lado determinadas crenças, manias, hábitos, vícios, para que se torne um bom exemplo para aquela folhinha em branco que vem ao mundo e precisará da sua ajuda para escrever a sua história?
Planejar a gravidez numa paternidade ativa, é pensar nisso tudo, é admitir que precisaremos nos tornarmos homens melhores para influenciarmos positivamente aquele novo serzinho.

Quando se faz com honestidade e franqueza estas reflexões, saberemos admitir que talvez ainda não estejamos preparados para sermos pais, e adiar os planos de levar um menino ao estádio com a camisa do seu time talvez seja o melhor a ser feito, pois além do jogo de domingo, haverá outros seis dias na semana repletos de fraldas, birras, febre, tarefas da escola, dentinhos a serem escovados, banhos a serem dados, limites a serem impostos, estímulos a serem dados, enfim, há muito mais coisas entre o céu da maternidade e o mar da paternidade, do que supõe a vã filosofia do nosso time do coração.
Agora, uma vez concluindo que sim, estamos preparados para nos tornarmos pais ativos, participativos, exemplos para nossos filhos, exemplos que certamente falharão um milhão de vezes, mas para cada uma destas falhas teremos a coragem de pedir desculpas e nos comprometeremos a tentar melhorar a partir daquele aprendizado, aí sim, poderemos engravidar.

Sim, nós homens, nós grávidos.
Não é a mulher que engravida, é o casal.

Não é o filho que vai nascer, é a família.
Na paternidade ativa, cada vez que você falar do filho que estão esperando, você não dirá que sua esposa está grávida, você dirá que vocês estão grávidos.

Na paternidade ativa, o pré-natal é uma consulta para os dois, não apenas para ela. Evidente que, eventualmente, motivos de força maior podem acabar impedindo você de estar ao lado da sua companheira na consulta pré-natal, mas esforce-se ao máximo para que a sua força de vontade de estar presente, seja maior do que o motivo de força maior. Fará bem para a sua mulher, saber que pode contar com você. Fará bem para o seu bebê, saber que você está sempre presente. Fará bem para você, que se sentirá cada vez mais parte integrante e fundamental de todo o processo. Você não apenas dirá, mas se sentirá efetivamente grávido.
O ginecologista é o médico da mulher.

O obstetra é o médico do casal.
Você não dirá mais “o obstetra da minha mulher”, você dirá “o NOSSO obstetra”.

E, não raro, homens que se envolvem efetivamente na gestação, sentem também sintomas similares aos das grávidas. Sintomas de fundo psicológico, evidentemente, mas sim, eles o sentem. Enjoos, tonturas, chororô por causa de uma propaganda de margarina, tudo isso podemos sentir, e não devemos nos envergonhar por sentir, faz parte do nosso aprendizado. Em cinco meses de gravidez eu já chorei vendo documentários, Jornal Nacional, propaganda do Boticário, A Grande Família e, o meu recorde: Os Simpsons. Faz parte.
Na experiência da minha gravidez, da espera pela minha Clara (estou dizendo “minha”, mas não estou excluindo a Priscilla, falo assim pelo foco do texto), tornei-me um militante do parto humanizado. Entre as pessoas envolvidas com o parto humanizado, fala-se bastante sobre o processo de empoderamento da mulher, um sentimento que é construído ao longo dos nove meses para que no momento do parto, a mulher sinta-se pronta, apta e capaz de trazer seu filho ao mundo da maneira mais natural possível.

Nós, pais ativos, também precisamos passar por este processo de empoderamento. E a primeira etapa deste processo, é nos permitirmos sermos frágeis, emotivos e admitirmos que sim, por mais planejada que tenha sido a gravidez, estamos cheios de dúvidas, inseguranças e medo de quando aquela criaturinha chegar aos nossos braços, não sabermos exatamente como agir. Essa parte é muito difícil. Tão difícil, que só agora, transcorridos cinco meses da minha gestação, vários livros, artigos, blogues lidos sobre o assunto, estou aqui escancarando minha fragilidade masculina para quem tiver saco de ler meus extensos textos.
E isso é difícil, pois ao mesmo tempo em que precisamos nos permitir sermos frágeis, temos que saber dosar quando, onde e com quem vamos extravasar nossa fragilidade, pois nossas companheiras estarão num processo de revolução hormonal gigantesco, e enquanto nós estaremos psicologicamente fragilizados, elas estarão não só psicologicamente, mas fisicamente em ebulição. A dosagem das nossas emoções é importante para que elas saibam que podem contar conosco, que ainda que estejamos emocionados, somos a pessoa com quem ela mais vai poder contar nessa caminhada tão linda de 42 semanas. Mas que tenhamos consciência, dosar não é represar.

Isso foi difícil para mim, pois sempre procurei me colocar para a Priscilla como um porto seguro, sempre gostei de dizer frases como “fica tranquila, eu estou aqui, pode deixar que eu dou um jeito em tudo”, e de repente, tudo era novo e eu não sabia que jeito se dava quando ela acordava no meio da madrugada vomitando mais do que eu na pior das minhas bebedeiras em 33 anos de vida. Eu sabia que deveria mais uma vez dizer que estava ali, que tudo ficaria bem, mas naquela hora eu queria também alguém do meu lado dizendo a mesma coisa para mim. E eu não podia admitir, eu era o homem, o macho alfa, o forte. Que palhaçadinha era aquela de ficar com vontade de chorar por ver um pacote de fraldas na prateleira do supermercado? Coisa de mulherzinha...
Como dosar o apoio que nossa companheira precisa, com a emoção que queremos sentir, o exemplo que queremos nos tornar para nossa criança?

No meu caso, que escolhi fazer do meu blogue um diário da minha experiência, isso se tornou um grande desafio, pois queria trazer aqui minhas angústias, minhas inseguranças, mas como fazer isso sabendo de antemão que a Priscilla seria a primeira pessoa a ler, e de repente fazer com que ela se deparasse com um turbilhão de sentimentos meus, os quais eu tentava disfarçar o máximo possível para que ela não ficasse ainda mais sensível do que já estava. No fim das contas, acabei me afastando da ideia original, que era discutir nosso papel como pais ativos, e transformei a maior parte dos meus textos em lugar comum, fáceis de serem encontrados em qualquer outro blogue. Poucas vezes eu tive coragem de mexer no vespeiro dos meus sentimentos, e quando o fiz, tentei disfarçar ao máximo.
A saída quem me apontou foi a Priscilla, mãe da estonteante Clara que está por vir. Conversei com ela sobre essa minha angústia, de querer desabafar, mas não deixá-la abalada com as minhas inseguranças, e ela me falou: Encontre alguém que não seja eu, e fale sobre isso. Parece óbvio, e talvez até seja, mas não é fácil. A primeira pessoa com quem falei a respeito, foi com a Ligia do site www.cientistaqueviroumae.com.br, que de orientadora virou amiga, e como me ajudou. Aos poucos, fui encontrando outras pessoas. Para minha sorte, nosso grupo de amigos é fantástico, e vários deles estão passando pela mesma experiência que nós, e consequentemente as dúvidas são parecidas, as angústias são parecidas e juntos, encontramos nossos atalhos sentimentais para que possamos exercer nossas paternidades ativas.

E foi por conversar com outros pais com anseios similares aos meus, pela ajuda constante que a Priscilla me dá, pelo conhecimento que tenho procurado, que consegui chegar a este texto, escrevê-lo sem medo de admitir minhas incertezas, mesmo sabendo que a Priscilla será a primeira pessoa a lê-lo.
Bom, escrevi muito e talvez você já esteja cansado de ficar na frente do computador, mas o assunto está só no começo.

Mas está aqui dada a largada, amigos. Comecemos nós, homens, a discutirmos nossa paternidade ativa, consciente, presente.
Assim como as mulheres estão buscando o seu protagonismo no nascimento das nossas crianças, retirando dos médicos o papel que eles lhes surrupiaram com a proliferação das cesáreas eletivas, busquemos nós também o nosso protagonismo paterno, elas não precisam de mais essa incumbência, já estamos bem grandinhos e podemos começar a caminhar com nossas próprias pernas. Sempre ao lado delas, no mesmo caminho, mas chega de sermos carregados no colo!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

De: Papai - Para: Clara-Clarinha-Clarotinha


Oi filhota, só vim aqui rapidinho dizer que tô morrendo de saudades de ti.

É que me deu uma saudade tão grande agora, no meio da tarde, meio que do nada.
Saudade do tempo que tu ainda estavas na barriga redonda da mamãe, e eu te chamava de minha gordinha por que a barriga dela não parava de crescer. Aí eu ficava falando perto do umbigo da mamãe, para que quando tu ouvisse a minha voz após sair da barriga dela, olhasse para mim e me identificasse na hora, pensando: “ah, então aquele ali é o papai? Gostei dele! Não falei lá de dentro, mas eu também te amo, papai! Cada vez que tu disse isso, eu falei lá de dentro da barriga ‘eu também’. E, sim, eu ouvia bem melhor quando tu falavas perto do umbigo!”

E por mais que a coisa que mais me doa no coração seja te ouvir chorando, fiquei com muita saudade do dia em que lá na maternidade, ouvi pela primeira vez a tua voz através de um chorinho tão lindo, tão pequenininho, como que perguntando “o que tá acontecendo comigo???”
Depois me deu saudade quando tu sorrias meio sem saber ainda que aquilo era um sorriso, mas via que eu e a mamãe ficávamos super babões no final do teu banho, colocando o talquinho antes da fralda e tu rindo pra nós dois. E tu rias mais ainda quando eu e a mamãe ficávamos brincando com os teus pezinhos, dizendo que o teu dedinho mindinho do pé é um ultra-super-mini pinhãozinho.

Depois deu saudade do tempo em que tu começou a engatinhar, toda durinha, toda independente, descobrindo os espaços ao teu redor.
E morri de saudade da primeira vez que tu falou: “Papai”, e eu chorei feito um bobão, e tu ficou meio assustadinha sem entender direito por que eu estava chorando, até que eu te peguei no colo, te enchi de beijos, te apertei, e tu caiu na gargalhada!

E me lembrei direitinho do dia em que tu me olhou com os olhinhos arregalados de surpresa quando viu uma borboleta pela primeira vez, e falou toda feliz: “olha papai, uma boboueta, é mais bonita que no livinho!”.
E me apertou o coração de saudade só de lembrar de ti, toda mocinha, vestindo um avental igual ao da mamãe para ajudar ela a fazer bolinhos.

E fiquei com saudades de te ver brincando com o Zé e com os gatinhos, rolando no chão da sala com os quatro, enchendo toda a casa de alegria através das tuas gargalhadas.
Como é bom ouvir tuas gargalhadas!

E fico assim, Clarinha, morrendo de saudades de ti, de ficar te olhando e achando no teu rosto os traços do rosto da mamãe, nos teus cacoetes as minhas manias, imaginando estas e todas as outras etapas que vamos viver juntos, nós três e nossos bichinhos, depois teus irmãos ou irmãs, e te amando cada milésimo de segundo mais e mais, por encher nossa vida de tanta coisa boa!
Sabe o melhor de tudo?

É que apesar dessa saudade tão grande que estou sentindo, quando chegar em casa, daqui a pouco, vou me ajoelhar na frente da mamãe, encher a barriga dela de beijinhos, vou dizer pertinho do umbigo dela: “Como eu te amo, Clara-Clarinha-Clarotinha!”, e sei que lá de dentro tu vais ouvir e, de algum modo, vai entender o que estou dizendo, de algum modo vai sorrir e de algum modo vai dizer: “Eu também, papai!”

Encontramos a nossa Doula, agora a Seleção está completa!


Escrevi há algumas semanas um texto sobre Doulas, dizendo que pretendia fazer o curso de Doula, me tornar uma espécie de papai-Doula para que pudesse ajudar de uma maneira mais prática, e não apenas emocional, no transcorrer dos nove meses da nossa gestação.
Contudo, não consegui fazer o curso, pois as entidades com as quais entrei em contato não me aceitaram por eu ser homem. Triste pensar que numa época tão avançada, onde se busca a igualdade de direitos e deveres, quebra de preconceitos, alguns pensamentos desta natureza ainda persistam. Ainda mais se pensarmos que o papel da Doula é fomentado num meio de pessoas que estão totalmente ligadas a humanização da chegada de novos seres-humanos à face da terra. A sensação que deu, foi que elas pensaram que minha intenção ao fazer o curso era dispensar a Doula, como se ao aprender suas atribuições, não a contrataria. Em outro caso, ficou explícito o medo de concorrência.

Nos dois casos a interpretação das pessoas sobre minhas intenções estava totalmente errada. Primeiro, por melhor que fosse o curso que eu fizesse e caso eu tivesse um desempenho extraordinário, ainda assim faríamos questão da presença de uma Doula no nosso parto. Segundo, não pretendo trabalhar como “Doulo”.
No fim de maio, início de junho, não é apenas a Clara que vai nascer, é a nossa família que estará nascendo. É a Clara filha, a Priscilla mãe e o David pai. É o início da família Rebello Mattos vindo ao mundo. E, por ser também o meu nascimento, ainda que tivesse tido o máximo de excelência no meu hipotético curso de Doulas, eu também estarei precisando de apoio, incentivo, carinho, suporte e todas as atribuições que as boas Doulas executam no exercício das suas profissões. Tanto quanto eu estou grávido com a Pri, eu vou parir com ela. Sim, vou estar forte para ajudá-la na respiração, para caminhar com ela, se ela assim quiser, para entrar na banheira com ela, se ela assim quiser, para entrar no chuveiro com ela, se ela assim quiser, mas, assim como ela, também estarei num estado emocional diferente do habitual. Posso não passar pela experiência física do parto, mas emocionalmente estarei de mãos dadas com ela quando entrarmos na “partolândia” e, por isso, nós dois temos total certeza que a presença de uma Doula em quem confiemos fará do nascimento da nossa Clarinha, uma experiência ainda mais bonita e intensa. Ficaremos muito mais tranquilos e seguros, mais “empoderados”, como se diz no meio, ao sabermos que a equipe que está conosco foi cuidadosamente escolhida, nos conhece e sabe bem das nossas expectativas para este momento. Já estávamos muito felizes pelos obstetras que escolhemos, confiamos neles, e agora – finalmente – encontramos a Doula que nos fez sair do seu consultório com a mesma felicidade com que saímos do consultório dos nossos obstetras todos os meses, certos de termos encontrado a pessoa ideal para vivenciar conosco esse momento tão singular.

A cada dia que nossa gestação avança, temos mais consciência do quão privilegiados somos por termos ao nosso lado pessoas tão importantes quanto nossos amigos, antigos ou recentes. Por termos a sorte de estarmos cercados de pessoas envolvidas com a humanização do parto, nossos amigos nos trouxeram uma série de ótimas indicações. Nossos obstetras também contribuíram bastante com outras sugestões e, no fim das contas, tínhamos uma série de bons profissionais a nossa disposição, bastando escolhermos aquele com quem a empatia ocorresse de maneira mais espontânea e acentuada.
Ou seja, com cinco meses de gestação, tínhamos opções de Doulas com formação em fisioterapia, em enfermagem e em psicologia. Tinha até uma Doula com especialização em sub-celebridade, mas é melhor deixar isso quieto, não vem ao caso.

Buscamos informações sobre todas as opções, tentamos contato com todas elas, algumas nos retornaram, outras não, e eis que no fim da tarde de ontem – 29/01 – tivemos uma hora de conversa com a Carol, uma profissional com formação em psicologia, Doula e parteira.
Foi uma conversa deliciosa, onde conhecemos uma pessoa que enxerga o nascimento da Clara como algo muito especial, do mesmo modo que nós enxergamos também. Uma pessoa capacitada, com ótimas referências e com um diferencial que foi exatamente o que nos pegou: a psicologia. A Pri é estudante de psicologia, logo, mesmo antes de termos conhecido a Carol, a mamãe da Clara já tinha uma quedinha por esta Doula.

A maior parte das Doulas inicia o acompanhamento mais efetivo das futuras famílias a partir da trigésima sexta semana de gestação, mas nós estamos no transcorrer da vigésima segunda semana, logo, um pouco precoce para a maior parte das Doulas.
O que gostamos muito no trabalho da Carol, é que nosso acompanhamento com ela começará agora, aliás, já começou. Nós faremos consulta com a psicóloga para entrarmos cada vez com mais intensidade na nossa experiência de nascimento, a partir das nossas próprias experiências individuais e como casal. Um trabalho que, para nós, será mais profundo e intenso do que o acompanhamento apenas do último mês da nossa gestação. Além disso, ela promoverá também um grupo com outros dois casais grávidos, com uma idade gestacional parecida com a nossa, para que possamos neste período trocar experiências, conversarmos sobre nossas inseguranças, descobertas, expectativas que, provavelmente se assemelharão as deles. É sempre bom dar uma espiadinha no espelho, seja para corrigir algo que está meio desalinhado no nosso visual, ou para constatarmos como estamos bonitos.

Vocês sabem, Copa do Mundo acontece sempre no mês de junho. Diferente da Copa do Brasil de 2014, a nossa Copa do Mundo será em junho de 2013, e ontem completamos a convocação da nossa Seleção!
A Carol é a volantona que faltava no nosso time, nossa camisa 5, aquela que dá proteção à defesa, não deixa o adversário sequer se aproximar da zaga. Para nos proteger, se for preciso ela vai dar bicuda. Mas ela também tem uma saída de bola apurada, vai saber pegar a bola e iniciar o contra-ataque. O passe para o gol do título pode ser meu, que vou estar lá no ataque ao lado da Pri, nossa camisa 9, mas poderá também vir dela, da nossa volantona, que se for preciso terá a técnica necessária para dar o passe milimétrico para deixar a craque do time na cara do gol.

Bem-vinda ao time, Carol!
(Para conhecer melhor o trabalho da Carol, acessem: http://empoderando-se.blogspot.com.br)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

E começa o segundo tempo da nossa gravidez, hora de pensar no quartinho da Clara!


Toca o telefone, do outro lado da linha a vovó Teresinha, minha mãe, pergunta depois das inicias saudações:

_E aí, meu filho, como vai ser o quarto da Clarinha? Quero fazer algumas coisas para enfeitar o quarto, mas preciso saber como vocês estão pensando a decoração.
Foi aí, só aí depois de cinco meses e uma semana desde o início da nossa gravidez, que nos demos conta que não paramos para pensar em como será o quarto da nossa filhota.

Curioso, isso. Pelo que eu me lembro das outras gestações que ocorreram próximas a mim, o quarto era sempre uma das primeiras coisas que se pensava. A cor das paredes, o modelo do berço, os enfeites para a cômoda, e nós nem aí para a hora do Brasil. Ou da Clara, melhor dizendo.
Fui até a porta do quarto que será o dela, e nele uma pilha de caixas de papelão, coisas entulhadas, uma espécie de depósito das nossas mudanças, coisas que ainda não acharam seus devidos lugares nos nossos armários, e estavam lá amontoadas. Algumas coisas da Clara também, pacotes de fraldas (desde que engravidamos compramos pelo menos um pacotinho cada vez que vamos ao supermercado), brinquedos, roupinhas, mas tudo meio amontoado em sacolas e caixas sobre uma bi-cama sem colchão.

Mas nosso desleixo com a decoração não se deu exatamente por desleixo, mas por mergulharmos de cabeça na nossa gravidez na outra borda da piscina, aquela das descobertas emocionais, físicas e ideológicas. Curtimos desde o início cada transformação no corpo da Pri, cada descoberta, lemos um monte de livros, artigos, blogues sobre gravidez, nos envolvemos com pessoas ligadas ao parto humanizado, viramos militantes disto, e foi tão grande nossa paixão pela gravidez ideológica, essa do respeito à mulher associada a uma paternidade extremamente ativa e participativa, que os adereços nos pareceram supérfluos, tanto que sequer pensamos neles. Foi muito importante essa primeira etapa de ativismo através da nossa própria gestação, mas estamos começando a entrar numa outra etapa, talvez a etapa por onde outras pessoas começam, mas só agora começamos a conversar sobre ela.
Nos últimos dias a Pri caiu de cabeça na organização do quarto da nossa Clarota, agora já está praticamente todo organizado, faltando apenas umas caixas do papai aqui, que pretendo dar um jeito nelas amanhã a noite. Agora os espaços começam a aparecer, e passamos a imaginar as cores.

Primeiro pensamos em fazer uma decoração de floresta, cheio de bichinhos – a exceção do leão, é claro, por questões de ética, bom gosto e boa educação. Depois, a Pri veio com a ideia de fazermos todo o quarto em tons de verde e rosa. Mas acontece que verde e rosa são as cores da Mangueira, e eu torço para a Mocidade Independente de Padre Miguel. Mas, tudo bem, a Mangueira também é legal, escola do Cartola, do Chico Buarque, dá para levar numa boa.
Esta nova etapa está sendo uma delícia. É incrível pensar que esse cantinho da casa que estamos imaginando, será uma das principais lembranças dela quando crescida. Esse cuidado é muito importante, pois em cada detalhe queremos que ela perceba o quanto é amada, e que cada vez que pensar na sua infância, pense com carinho no espaço que a mamãe e o papai prepararam pensando nela, que ela perceba em cada cantinho a nossa presença, do mesmo jeito que hoje sentimos a presença dela em qualquer coisa que façamos.