sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Eu voltei! ( e, veja só você, feliz!)


Eu tenho uma dificuldade enorme para me relacionar com a felicidade.

Sei lá, acho ela meio esquisita.

Mas eis que, depois de quase dois anos, resolvemos dividir a mesma cama.

E, admito, a minha ausência prolongada deste espaço, é culpa dela.

Safada!

Bandida!

Acontece que minha inspiração é diretamente proporcional ao meu sofrimento. Quanto mais eu sofro, mais eu crio. Como tenho ocupado meus dias e os minutos que a eles cabem na enjoativa tarefa de ser feliz, me sobrou pouco tempo pra investir na velha inspiração que me inundava de contos.

Para que fique mais claro, iniciei este blogue no dia 10 de dezembro de 2009, vinte e cinco dias após ter me separado.

Fossa colossal!

Não acredito que alguém aceite ir até a frente de um padre (ainda mais sendo ateu), na frente de um juiz de paz, sem que se tenha uma fé tremenda de que aquilo é para sempre. Mas, vez ou outra, as coisas não saem exatamente conforme o planejado, ou imaginado.

Não que essa mudança de planos seja uma coisa ruim, mudanças costumam ser traumáticas, mas quando com elas se aprende, a tendência é que se tornem coisas boas, por mais assustadoras que no início se mostrem.

Acontece que, nas profundezas da culpa (culpa é pior que Diabo Verde, se pudesse ser engarrafada, não teria vaso sanitário entupido que resistisse ao seu poder de corrosão!), canalizar aquelas minhas noites embriagadas e mal dormidas em textos, foi a terapia que me coube.

Meus amigos mais antigos, aqueles que me conhecem desde os 14, 15 anos, dizem que sou o pai do Emo. Naquela época, quando Cauby Peixoto não sabia falar, Hebe Camargo era de fato uma gracinha e a Dercy Gonçalves ainda era virgem, eu queria ser músico. Tinha certeza que seria músico. Mais do que isso, tinha certeza de que depois de mim, o mundo mal se lembraria que um dia haviam existido uns tais Jhon e Paul. Não é exagero, eu realmente tinha certeza disso! Eu queria cantar, mas não sabia. Ainda não sei. Eu tocava bateria. Eu tinha uma banda com aqueles tais amigos. Por ser baterista e fazer questão de ser um marco na história da música mundial, eu era o compositor. Só eu. Não aceitava parcerias. Todas tinham que ser minhas. As músicas, já que as mulheres por força dos costumes ficam com os vocalistas. Mas minhas músicas eram todas, invariavelmente, repletas de dor de cotovelo, pés-na-bunda, um sofrimento enorme e infindável, mesmo com tão pouca idade. Por isso, virei o pai do Emo, segundo meus amigos mais antigos.

Minhas melhores músicas (esse “melhores” é questionável) vinham na mais intensa dor provocada pelos foras e chifres que rotineiramente eu levava das minhas namoradas.

Mas, um dia, eu fiz dezenove anos e me dei conta que, por mais que alguns anos antes eu tivesse tanta convicção em mim mesmo, me dei conta de que não era tão bom assim. Mais do que isso, nem pra bom eu servia, e resolvi me aposentar da música.

Aposentadoria por invalidez.

Outro dia, eu cresci. Virei adulto, sabe?

Cresci e era razoavelmente feliz, mesmo sem ter me tornado um marco na história da música mundial.

E, por ser razoavelmente feliz, já não tinha motivos para compor.

Um dia, ainda feliz, meu querido amigo Maykon Lontra Desmaiada me convidou para escrever num site chamado Tô Puto!

Criei uma coluna chamada “Mattos Sem Cachorro”, onde escrevia crônicas engraçadinhas sobre diversos temas. A coluna deu algum ibope, mas o site ficou chato e eu caí fora.

Aí eu ouvi a música “Mais vinho pra mim”, de Jean Mafra e Thiago Gomes, e fiquei tão tocado com a música que fiquei com vontade de sofrer. A música era, e é, muito linda, ela merece um sofrimento intenso. Mas eu não sofria. Então resolvi escrever um livro homônimo e escrevi. O livro ainda é inédito, mas eu gosto bastante dele. Acho realmente que ficou bom. Hoje escreveria algumas coisas que estão lá de modo diferente, mas não me permito alterar nada para não trair aquele cara daquela época que escreveu aquela história. Qualquer dia desses eu publico aquele livro. Pelo menos eu espero que isso ocorra.

Eis que, depois de alguns anos vivendo naquela felicidade, me casei e deixei de ser razoavelmente feliz para ser feliz de fato. E era, e fui. Mas um dia a coisa mudou. Aí me separei, e fiquei triste, muito triste.

Aí surgiu o blogue, meio sem querer, meio que uma terapia, e o que no início não sabia muito bem que finalidade dar, de repente virou uma espécie de livro virtual de contos. E, não sei se deus viu, mas eu vi que aquilo era bom!

E aquilo tomou cada um dos minutos que antes eu dedicava a sofrer. E, mais uma vez, a tristeza se chegou pra junto de mim encantadoramente inspiradora. Foram dois anos de textos e mais textos, alguns dos quais eu gosto muito, tenho realmente um grande orgulho de tê-los escrito, outros que fiz pra cumprir tabela, pra não ficar muito tempo sem publicar. Mas, sendo uns ou sendo outros, eles vinham facilmente, fluidamente, instintivamente. Eu estava triste, e ficar triste é ótimo pra criar! Pelo menos pra mim.

Por mais que eu já tenha me revelado como o pai precoce do Emo, não é melodrama, os frutíferos meses de vida deste blogue, foram meses muito difíceis de vida minha.

Se não fosse tão egocêntrico, teria procurado um psicólogo, um psiquiatra, a depressão teve momentos realmente preocupantes. Hoje eu vejo com a clareza que só o distanciamento dá, alguns dias foram preocupantes. Eles certamente teriam me receitado algum daqueles tarja preta que prescrevem quando percebem que a coisa tá feia. A coisa tava feia. A eminência do suicídio foi uma constante, sem exageros. Cheguei a tentar, mas não fui tão bem sucedido na tentativa de me dar um fim quanto na de dar continuidade ao blogue.

Mas eis que, uma hora, a maré mudou. Pra ser preciso, foi no dia do meu aniversário. Embora coisas e pessoas boas, ótimas, tenham entrado na minha vida antes disso, foi no dia do meu aniversário, quando completei 32 anos de vida, que ela, a minha vida, mudou.

Já tinha me conformado em jubilar na faculdade, não tinha saco pra escrever o meu TCC, quando um professor da primeira fase, que sempre admirei muito, entrou na loja em que trabalho e, depois de ganhar um desconto especial ao comprar um cortador de grama, me disse que me orientaria no TCC e faria com que eu me formasse.

Uma semana depois, coloquei este blogue em recesso para escrever o tal do TCC, e escrevi. Escrevi 181 páginas em dez dias. E ficou bom. Era pra ser matado, só para garantir o diploma, mas sou obrigado a chutar a modéstia pra escanteio, o trabalho ficou bom.

Era pra ter voltado ao blogue no início de novembro, conforme prometido no post anterior a este, mas aí resolvi curtir umas férias daquela tristeza que antes eu cultivava com tanto esmero, cerveja e cigarro.

E foi então que me dei conta que, mesmo antes do meu aniversário, já havia alguém que estava cuidando de mim com muita paciência, uma paciência que eu provavelmente não teria.

E, somando uma coisa à outra, cheguei a conclusão de que estou feliz.

O que é bom, mas por conseqüência, não tive mais ideias nem vontade de escrever.

Mas eu gosto de escrever, gosto de fazer daqui o meu rascunho. Eu quero verdadeiramente me tornar um escritor cada vez melhor, só preciso encontrar um meio de fazer isso sendo feliz.

Por que agora eu estou feliz, e não me imagino diferente de como agora sou. Não abro mão de sentir o que hoje sinto, nem pelos meus escrivinhados.

Bom, chega de lenga-lenga, venho comunicar-lhes oficialmente que este espaço está reaberto para a nova temporada. Vai me dar mais trabalho, mas vou continuar a escrever meus textos. O próximo, novo, inédito, estará no ar semana que vem.

Contudo, o blogue sofrerá algumas modificações, não será mais predominantemente um blogue de contos, intercalarei meus textos com posts pessoais, como este.

Por quê?

Por que eu quero, oras.

Aos que esperaram, obrigado pela paciência, aos que se cansaram, espero que voltem.

Vou tentar fazer textos melhores do que os anteriores, apesar da minha impertinente felicidade atual.

E que fique registrado, não precisei dos tais tarja-preta para me sentir feliz.

O que me deixou feliz?

Três coisas, as duas primeiras: o Figueirense e o Avaí, cada um a sua maneira.

Mas, principalmente, ele: o amor.

Ah, o amor...

9 comentários:

Priscilla disse...

Tu também me fazes muito feliz!!

Daca disse...

troca de emprego comigo, tu vai criar adoidado..

jean mafra em minúsculas disse...

david, dadivoso,
amamos você (sim, eu e ana carina estamos lendo juntos esse textinho) e torcemos para que a felicidade te traga mais inspiração ainda!!!

lindo texto.

parabéns por tudo.

beijocão.

Fran disse...

Tempos dificeis... mas se houve aprendizado é isso que importa! Que bom que vc está feliz! Abçs da Fran Arruda

mundo da lu disse...

oi, gostava de vc triste, mas gostei mais hj, após lê-lo feliz... seja bem vindo!
beijo
lu

Bruna Rafaella disse...

Ahhhh como estou aliviada, feliz...
amei a foto, sua cara de felicidade, que lindo...
Ahh David, o amor, sei bem, agente fica tonto mesmo e era o que eu queria por aqui, eu sei que esse espaço é seu, mas mudar é sempre bom né? ainda mais quando há felicidade no meio!!!!

Que lindo, parabéns pela sua volta, você sabe o quanto estava ansiosa, não tive tempo essa semana, mas estou aqui e não saio por nada!!!

Seja bem-vindo meu querido autor preferido!!!!!


Beijo grande de quem te adora!

Nayana. disse...

Que puta saudade eu tava de ti, guri.

E que alívio te ver feliz. Agora quem sabe até eu volto a acreditar, um dia.

Beijo!

Shuzy disse...

Hiip-Hiiip-Hurraaaa!

MRC disse...

Coisa boa você de volta!
Fez-me falta, juro.
Eu espero realmente que "Mais vinho pra mim" esteja no criado-mudo de cada pessoa de bom gosto que passa por aqui.
Merecidamente.

=]