segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Transformações

A paternidade é uma transformação maravilhosa! Aliás, várias, sucessivas e diárias transformações. Assim sendo, este blogue não se excluirá do turbilhão metamorfósico que tomou conta da minha vida.

Caros leitores, antigos ou novos, inicia-se agora um breve inverno de nove meses aos assuntos que este blogue costumava tratar, aos contos que outrora predominavam por estas plagas.
Em função do meu estado babão, nas próximas 33 semanas este espaço estará voltado exclusivamente para o Diário do Papai! A começar pela transformação da cara dele, como você já deve ter percebido. Tudo agora que me interessa remete ao bebê larvinha que cresce acelerado na barriga da minha amada.

Claro que se nesse período surgir um continho ou outro, irei publicá-lo, mas eles não serão minha prioridade. Quero usar este espaço que eu prezo tanto para relatar quase que diariamente toda a maravilhosa revolução que é o preparo para receber a criaturinha fruto da mistura minha com minha esposa.
Sempre quis ser pai, tinha uma vaga ideia da reação que teria quando me descobrisse progenitor de alguém, mas não imaginava que as transformações seriam tão profundas quanto estão sendo.

Tudo muda, o modo como se enxerga as coisas, o cuidado que se toma em tudo o que se faz, tudo passa por micro e macro transformações internas e externas o tempo todo.
A primeira transformação que a larvinha que cresce freneticamente na barriga da Priscilla causou, foi o cigarro. Nos descobrimos grávidos na noite do dia 03/10 e, tão logo o exame de farmácia nos apontou 2 risquinhos cor de rosa, abandonei os cigarros. Uma vontade enorme de ficar saudável, viver bastante para poder cuidar dela e do bebezinho ali dentro, de fazer o que for preciso para que nunca falte nada a eles (as), que o cigarro foi instantaneamente para o paredão. Não que esteja sendo fácil, não é. Já tinha parado de fumar uma vez, um pouco antes do nosso casamento, fiquei quinze dias sem fumar. Pode parecer pouco tempo, mas para quem fumava 3 maços por dia, acredite, quinze dias é tempo pra caramba. Voltei a fumar quando fiquei num baita nervosismo para decidir se mudava de emprego ou não, tinha recebido uma ótima proposta, mas adorava a empresa onde eu trabalhava. Enfim, resolvi arriscar, troquei de emprego e voltei a fumar. Não tanto quanto fumava, mas qualquer quantidade que se fuma, disso sabemos todos, nos é nociva.

Desta vez foi diferente, tão logo confirmamos a suspeita, imediatamente parei. Não foi fácil, principalmente nos primeiros dias. No dia seguinte, dia 04, quando fizemos o exame laboratorial e o primeiro pré-natal, quase surtei de nervoso e ansiedade, consequências da falta de nicotina. Fiquei mal humorado, apesar da felicidade pela gravidez. Fiquei assim alguns dias. No dia 09 caí em tentação, e fumei um cigarro na companhia do meu querido e grande amigo Aldo Jr. Quase não dormi na noite daquele dia, de tanta raiva que estava sentindo de mim, como se tivesse traído o meu filho, mas a Pri me acalmou, me convenceu que aquele sentimento era besteira, que não precisava me cobrar tanto. Hoje estou feliz, pois, desde então não fumei mais nada e, mais do que isso, nos dois últimos dias em nenhum momento tive vontade de fumar. Obrigado meu filho(a)!
A segunda transformação que o meu bebê larvinha causou, foi na direção. Como estou mais cuidadoso! Sou apaixonado por motos, vez ou outra deixo o carro na garagem e vou trabalhar de moto. Todo motociclista prudente, dirige com alguma parcela de medo, ele nos protege um pouco da vulnerabilidade das duas rodas. Mas incrível como estava temeroso no primeiro dia que andei de moto após me descobrir pai. Nunca fui tão cuidadoso, evitei o corredor entre os carros, e dirigi com um zelo como há muito não fazia. Não um medo que chegasse a me bloquear, pois isso também seria muito prejudicial, mas um cuidado enorme por saber que agora duas pessoas me esperavam em casa no fim do dia.

A terceira transformação é no calendário. O tempo que era medido em meses, passa a ser contado em semanas. Lembro-me de amigos grávidos que me diziam: “estamos de 17 semanas”, e eu pensava, “Cacete, vou ter que dividir 17 por 4 para descobrir de quantos meses estão...”, mas é sair do consultório do obstetra, que o mundo só funciona através de semanas. Estamos no transcorrer da nossa sétima semana, a propósito. Nosso bebê larvinha é do tamanho da unha do dedinho do pé, mas já tem um coração com duas cavidades e fígado.
A quarta transformação é no vocabulário. Amigos leitores, sou o quarto de cinco irmãos, e como vocês sabem, toda família tem um tio bêbado. Pois bem, este era eu. Bêbado, desbocado e falastrão. Tanto que em determinado ponto, minha presença era até evitada para que meu vocabulário não maculasse os ouvidinhos dos meus 4 sobrinhos. Se na época me pareceu exagero, hoje eu sei, foi a coisa mais acertada a se fazer. Deus me livre do meu filho conviver com um boca suja como eu era! Percebam, o texto já está longo, e o mais próximo de um palavrão que eu escrevi, foi: “cacete”. E não é brincadeira, quando solto algum sem querer, vou no umbigo da Priscilla e peço desculpas ao bebê-larvinha, e acho que ele(a) me desculpa, pois no fundo das suas erupções celulares sabe que tanto quanto ele está aprendendo a virar gente, eu estou aprendendo a virar pai.

A quinta transformação é no humor. Tinha um mau humor meio crônico ao amanhecer. Agora – a exceção de um dia em que a falta do cigarro me sufocava – acordo sempre feliz. Olho para o lado, e os dois (duas) estão ali dormindo tão lindos(as), não tem como ficar mau humorado. Antes, nada afetava mais o meu dia do que ter meu sono interrompido, algo patológico, de tão grave. Agora, vez ou outra a Priscilla me acorda no meio da madrugada morrendo de enjoos e mal estar. Não me importo, de verdade não me importo. Até gosto, pois sei que é nosso bebê-larvinha falando conosco. Sei que daqui a pouco vai ser assim, e embora vá ser muito cansativo, vai ser ótimo olhar aquela mini-pessoinha que conta conosco pra ser feliz. Ela acorda, me olha e pede massagem nos pés, e eu faço com ainda mais prazer do que já fazia antes, pois se antes ficava feliz em fazer por saber que ela adora, agora sei que o relaxamento que ela sente, relaxa também nosso filhote.
Enfim, meu bebê tem só seis semanas e três dias, e já me transformou num homem mais calmo, paciente, cuidadoso e saudável. Fala a verdade, é ou não é o melhor bebê de todos os tempos?

3 comentários:

MM disse...

Super demais. São pessoas feito vocês que harmonizam o dia a dia e dai fica muito gostoso viver. Que sorte grande essa criaturinha nascer nesse ambiente tão transbordante de luz .
Obrigada por compartilhar

Bruna Rafaella disse...

Que gostoso vai ser acompanhar o bebê-larvinha de vocês!!!
Amei o Diário do papai (babão) que gosto muito, de verdade, estou me sentindo da familia mesmo!
Quero acompanhar seu filho(a)até nascer, e por favor não vá sumir como dá outra vez, ainda tenho traumas!
Estou super feliz por vocês...
E que a cada dia você papai-babão saiba que a mamãe vai precisar muito de você, do seu amor, o bebê-larvinha (amei o apelido)também e ele já te ouve hein!!!

Te adoro, meu querido e lindo!
Estou muito feliz!!!

Parabéns!!!!!!!!!!!!

Priscilla G. R. Mattos disse...

Te amamos muito!!

Beijos duplos.