terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

E eles viveram felizes para sempre! (Será?)


Ele: PORRA MULHER, QUANTAS VEZES EU JÁ TE PEDI ISSO?????

Ela: Ãhn???

Ele: Já faz sei lá quanto tempo que nós estamos juntos, eu sempre te peço para não deixar a porra da calcinha pendurada no chuveiro, e não tem jeito, você sempre deixa.

Ela: Ah, tá, a calcinha. Não sabia que ela te incomodava tanto assim.

Ele: Não sabia???? Você é mesmo muito cara de pau!!! Desde a primeira semana de casamento que eu te peço, “meu amor, não deixe a calcinha pendurada no chuveiro, ele é coletivo, não é apenas seu, lave suas roupas íntimas na máquina, como qualquer pessoa normal, ou se preferir no tanque, depois estenda no varal, MAS NÃO DEIXA A PORRA DA CALCINHA PENDURADA NA MERDA DO CHUVEIRO, CARALHO!!!!!”

Ela: Nossa, que brabeza! Isso tudo é por causa de uma calcinha? Ainda mais uma calcinha assim, tão pequenininha...

Ele: Olha aqui sua engraçadinha, papinho de sedução não. Inclusive tá na hora de você começar a repensar suas vestimentas e o tamanho das tuas lingeries, você já não tem mais dezoito aninhos, tampouco o corpo daquela época.

Ela: Olha meu querido, pra quem usa essa calça legging, camisa com manga fofa e uma boina com uma peninha do lado, você não pode falar muito.

Ele: Isso aqui é roupa de monarca, minha cara. A nobreza usa essas roupas desde muito, muito tempo. Pode pesquisar em qualquer conto de fadas!

Ela: Tudo bem, antigamente eu até admito que tinha um certo charme, mas meu querido, já faz tanto tempo...

Ele: Ué, você sempre disse que ficava louca quando me via com essa roupa.

Ela: Na verdade eu ficava louca de vontade de rir, mas não podia dizer nada, vá que você ficasse ofendido. Vocês riquinhos são muito sensíveis.

Ele: Como é que é? Vontade de rir???? Você sempre disse que gostava, que a roupa justa realçava meus músculos.

Ela: Não precisa fazer esse beicinho de choro não. Eu até gostava, sério. Era engraçado, mas até que eu achava charmosinho. Mas os tempos mudaram, meu querido. O seu corpo mudou, sabia? Antes, há muito tempo atrás, você não tinha barriga, lembra? Eu sei, faz bastante tempo, talvez você já não se lembre, mas é verdade, um dia você não teve barriga. Hoje já não dá pra dizer o mesmo.

Ele: Mas você dizia que me achava lindo naquela roupa...

Ela: Pensa bem, eu morava lá no Jardim Carandaí – Fundos, no meio do mato, longe de tudo, numa casa com sete anões depravados, e você foi a primeira oportunidade que eu tive de mudar de vida. Eu diria qualquer coisa para sair daquele cafundó!

Ele: Eu sempre pensei que você gostava daquele bosque. Inclusive você continuou indo para o Bosque durante um bom tempo depois que nos casamos.

Ela: Bosque??? Aquilo lá é um fim de mundo, um mato sem cachorro! Vai passar uma temporada em Biguaçu pra ver se você vai achar aquilo com cara de “Bosque encantado”.

Ele: E por que você continuou indo até lá então???

Ela: Bom, eu deixei amigos lá, sabe como é. Eu tinha que ir visitá-los de vez em quando, matar a saudade...

Ele: Mas você não acabou de me dizer que eram sete anões depravados?

Ela: Então, exatamente.

Ele: Como assim?

Ela: Nada não querido, deixa essa história pra lá.

Ele: Deixa pra lá não, tá pensando o quê????? Conta essa história direitinho. Você lá, amaldiçoada, dormindo para sempre depois de comer a maçã envenenada, eu te beijo, te salvo e você vem insinuar que tinha casinhos com aqueles nanicos????

Ela: Eu não estou insinuando nada, você é que está dizendo.

Ele: Mas você não está negando também!

Ela: Ô meu filho, vem cá, você é idiota mesmo, né????

Ele: O quê???

Ela: Acorda meu querido, a época do conto de fadas já passou faz tempo! Você acha que sete caras morando sozinhos vão dar abrigo para uma mulher a troco de nada, só por que são bonzinhos???

Ele: Peraí, o que você tá querendo dizer com isso???

Ela: Meu Deus do céu...

Ele: Você era pura, você estava amaldiçoada, dormindo, eu lembro bem... ELES ABUSARAM DE VOCÊ DURANTE O PERÍODO EM QUE VOCÊ FICOU AMALDIÇOADA?????

Ela: Sério, eu não acredito que estou ouvindo isso. Você acreditou mesmo naquela história de maldição?

Ele: E não era para acreditar? Eu vi você adormecida, como se estivesse morta!

Ela: Você já ouviu falar em coma alcoólico?

Ele: Como assim?

Ela: Olha, naquela casa tinham sete homens que não viam mulher faz tempo, me deram abrigo, mas em troca de alguns favorezinhos, sabe como é...

Ele: Como assim, “favorezinhos”?

Ela: Olha, eu até que gostaria de entrar em detalhes sórdidos, mas não seria muito apropriado.

Ele: Eu não sei o que dizer...

Ela: O que eu posso te dizer é que desde o dia que eu cheguei naquela casa, era festa todo dia, toda noite, muita cerveja, cigarro, e outras cositas mais.

Ele: E no dia que eu cheguei lá?

Ela: Bom, aquele dia foi o auge, foi a nossa festa de número 2000! Bebemos todas, literalmente todas. Acabamos com o estoque de bebidas de Biguaçu, pegamos cerveja até do Bar do Gasolina lá no Loteamento Dona Wanda, mas não teve cachaça que acabasse com a nossa sede, não teve anão que me desse folga...

Ele: Mas eles eram anões!

Ela: Meu amor, o fato de eles serem baixinhos, não significa necessariamente que tudo neles seja pequeno, muito pelo contrário. Exceto unzinho lá, que como não era muito privilegiado acabou deixando o grupo um tempo depois e resolveu virar técnico de futebol. Mas ele sempre foi o mais bobinho dos sete. Me lembro que eles me chamavam de “Furacão”, às vezes dá uma saudade...

Ele: Tá, mas e a tal da maçã envenenada?

Ela: Bom, era uma história infantil, tínhamos que dar uma aliviada nos detalhes impróprios para menores. Não sei se você se lembra, mas uns anos atrás a Rita Lee foi internada também, os médicos disseram no boletim que ela havia misturado Whisky com calmante e acabou entrando em coma. Depois que saiu do hospital, ela disse na entrevista coletiva que tinha comido um bolo de chocolate, tomado um wihiskyzinho, e resolveu tomar um calmante para pegar no sono, e acabou entrando em coma. Mas, segundo ela, o que fez mal mesmo foi a cereja do bolo que estava estragada. Então, foi mais ou menos isso. Eu tinha tomado cerveja, whisky, vinho, cachaça, vodka, mas não ficaria bem colocar isso numa história infantil. Então resolvemos colocar a culpa na maçã que uma velhinha tinha dado pra mim. Coitadinha, e ainda levou fama de bruxa malvada, hahahahaha...

Ele: Mas eu te acordei com um beijo...

Ela: Meu amor, você me acordou com o cheiro forte daquela colônia de barbear vagabunda que você usava, ô cheirinho triste aquele...

Ele: Por isso que você sempre me dá colônia de presente, e eu que gostava tanto daquela minha colônia machos selvagens mentolados, o comercial dizia que as mulheres cairiam aos meus pés!

Ela: É verdade, se estivessem de pé de fato elas cairiam. No meu caso, como eu estava numa ressaca desgraçada, foi só você chegar perto que o meu estômago deu a volta ao mundo em um segundo e acordei na hora! Fico enjoada só de lembrar daquele cheiro...

Ele: Mas você era pura, eu lembro, você até sangrou na nossa noite de núpcias.

Ela: HAHAHAHAHAHA, Eu não acredito que ouvi isso! Sangrei??? Se aquilo fosse um sangramento por causa do meu improvável hímen, eu teria morrido de hemorragia. Eu estava menstruada seu imbecil!

Ele: Tá, mas e o “E eles viveram felizes para sempre”?????

Ela: Aquilo ali é mensagem subliminar, na verdade dizia respeito aos sete anões, não a nós dois.

Ele: O quê?

Ela: Bom, depois que eu saí da casa deles para dar o golpe do ba... Quer dizer, para casar contigo, eles não queriam interromper as festas, afinal de contas, no dia em que você apareceu era a nossa festa de número 2000. Eles abriram uma boate no local e colocaram o nome em minha homenagem, está lá em Biguaçu até hoje!

Ele: E que nome é esse?

Ela: Furacão 2000!

2 comentários:

Manuela Penzlien Medeiros disse...

hahahahahahahaha

Anônimo disse...

Será? Será que a braquinha é devassa? Será?