sexta-feira, 25 de junho de 2010

Amor equivocado


Não é saudável viver sem algum vício.

Disse isso para te proteger, ou para tentar te proteger daquela força tarefa politicamente correta que te recriminava pelo cigarro que foste fumar lá fora, enquanto todas ficaram entretidas com assuntos seriíssimos como bolsas, botas e o cara mais gato que estava no bar, mas, infelizmente, chegara acompanhado.

Devo ter me apaixonado por ti na primeira vez que fomos à praia, depois que voltei de viagem. A gente começa a perceber o mundo com outros olhos, depois que se passa um tempo em Paris. Não sei se é o ar, o Louvre, os vinhos, a comida ou simplesmente a distância, mas alguma coisa muda.

Fato é que talvez para o mundo minha visão tenha permanecido a mesma, mas meus olhos, quando te miravam, certamente eram outros, depois que voltei.

Tu bem sabes que eu sempre achei brega essa mania exibicionista, algo meio terceiro mundo, de mulher ir à praia de fio dental. Mas quando fomos à praia depois que voltei de viagem, e te vi de biquíni, lamentei profundamente o quão comportado ele era. Teu corpo é perfeito demais para ficar escondido em tanto pano. Ele pede um pouco da indecência terceiro mundista que eu tanto recriminava

Se tem uma coisa que o primeiro lugar do ranking das amizades trás de bônus, é o privilégio da nudez. A falta de vergonha em permitir que a amizade primeira presencie provas de roupa, banhos de porta aberta, e tudo o mais que apesar de ingenuamente excitante, provoca as piores intenções em qualquer pessoa que tenha o mínimo de sanidade.

O ônus desta amizade privilegiada é ter que demonstrar indiferença cada vez que te vejo tão explendorosamente vulnerável.

Tem sido difícil viver perto de ti e fingir desinteresse.

Como pode um corpo tão magro guardar formas tão precisas?

Não te falta nada.

Não te sobra nada.

És perfeita. Mais do que um resumo de tudo o que é belo, és um desafio à matemática, tamanha a tua exatidão.

Sei que a única maneira de eu ficar perto de ti é manter minha dissimulação, e para te ter perto de mim vale o sacrifício de te ver sofrer por outras pessoas, enquanto eu fico aqui tão indefinidamente disponível.

Tudo o que eu mais queria nessa vida era ser teu amor.

Mas, desgraçadamente, nascemos irmãs.

2 comentários:

Manuela Penzlien Medeiros disse...

ô loco. hehehe...

Daca disse...

Tem um filme chamado Sister My Sister que fala sobre esse amor impossível.. tu vai curtir o filme..