quinta-feira, 3 de junho de 2010

Fim de uma lenda urbana: Sim, o ASA de Arapiraca existe!


Desde 1985 que eu acompanho futebol e aprendi a amar e dedicar meu tempo às coisas que realmente importam e fazem a vida valer a pena. O Figueirense, por exemplo.

E é mais ou menos desta época remota a primeira vez que ouvi falar no tal do ASA de Arapiraca. Durante muito tempo eu acreditei que fosse um time simbólico, inventado, algo como “esse cara aí deve ter jogado no Piranboleta de Guaxupé”, um nome inventado para tirar um sarro e só.

Eis que para minha surpresa, há dois anos eu soube que o tal do ASA subiu para a terceira divisão do futebol nacional, aquele campeonato importantíssimo que só time pequeno orgulha-se de um dia ter freqüentado, e pior, se for dos pequenos, pequenos mesmo, colocam até estrelinha na camisa em comemoração.

Mas para aumentar ainda mais a minha estupefação, o tal do ASA subiu da terceira para a segunda divisão do futebol nacional, um local hostil, inóspito e obscuro, freqüentado por times de atletas neardenthais e juízes que quando apitam não roubam, cometem crimes hediondos.

Neste momento você está pensando: “ué, mas o teu Figueirense não está na série B?” e eu te respondo: “Sim, ele ESTÁ! Mas já está de saída, só foi ali de passagem. Uma espécie de intercâmbio cultural, fomos ali dar um rolê, conhecer como funciona o habitat do nosso co-irmão de pijama, enquanto eles deleitam-se pelas plagas da qual fazemos parte. Mas no fim do ano tudo voltará ao normal, o Figueirense de volta à nobreza do esporte bretão, seu lugar natural, e a pijamada volta ao lodo nauseabundo, muito parecido com um mangue, da segunda divisão.

Voltemos ao ASA.
Começou a série B 2010, e o tal ASA estava participando da competição, acompanhei muito interessado o desempenho da equipe, e mais surpreendente do que a sua real existência, era o desempenho até mediano que vinha demonstrando no certame.

Contudo, entretanto, porém e todavia, mesmo acompanhando os resultados, ainda duvidava seriamente da existência, algo do tipo: “só acredito vendo!”.

Na última terça-feira, dia 01/06/2010, tive a revelação: SIM, IRMÃOS, O ASA DE ARAPIRACA EXISTE! Existe e também veste as elegantes cores alvinegras.

Como era uma noite especial, ainda levei comigo dois amigos muito queridos, apesar de avaianos. Não tem graça jogar contra o ASA de Arapiraca, sem alguém do lado para tirar um sarro. E lá estiveram comigo o grande Ronnie, e Rodrigo Daca, nobres avaianos convictos não-praticantes (como a maioria dos torcedores daquela agremiação, a terceira maior torcida do sul da ilha, atrás apenas do Ribeironense e do Canto do Rio).

Como já divulguei em outros posts, ando extremamente antissocial, é difícil algum convite retirar meu corpo barrigudo do meu sofá rasgado. Costumo escolher um bom filme e uma taça de vinho à maior parte dos outros convites sociais que vez ou outra me fazem. Faz tempo que não vou à shows, bares e afins. Se tivesse grana iria à peças de teatro, mas além de caros, são raros em Nossa Senhora do Desterro, minha pátria.

Mas apesar de antissocial, é pouco provável que eu recuse convites do Daca e do Ronnie, pois sei que será sempre divertidíssimo, a exceção, é claro, de convites para ir ao Ilhéu ou, pior, Scuna Bar. Meus caros, sei que já habito a casa dos trinta e poucos, mas ainda não me dei por vencido.

Aquela noite foi uma vitória pessoal, algo muito além dos inapeláveis 6x0 que o Furacão do Estreito aplicou sobre os Galáticos da Caatinga. (entendeu a piada, ãhn, ãhn, ãhn? ASA – Catinga, sacou? Autoria do Daca, esse ancião “gozador”).
Digo que foi uma vitória pois, imagine só, plena terça-feira, um frio dos diabos em Desterro, ventinho sul cortando os ossos, eu tiro dois avaianos de casa para assistirem no estádio Figueirense X ASA de Arapiraca às 22:00.

Como retribuição, tive que oferecer à eles algumas cenas para guardarem com carinho nas suas memórias, ou na parte delas que o Alzheimer ainda mantém em atividade. Dei um corridão num velho que cornetava o esquadrão alvinegro comandado pelo eterno capitão Márcio Goiano, grudei no alambrado e quase implorei para o jogador do ASA trocar de camisa comigo, lhe ofereci minha camisa oficial do Figueira em troca da camisa dele. Imagine que maravilha, além de comprovar a existência do ASA, ainda voltar para a casa com a farda alagoana (sim, talvez você não saiba, mas Arapiraca fica em Alagoas. Pelo menos foi o que o Ronnie me disse.), mas o zagueiro reserva do adversário do mais querido de Santa Catarina, achou que eu estava tirando sarro dele e respondeu carinhosamente: “vá se foder, filho de uma puta!”. Ganhei uma rosa de um velho que foi para o estádio com um buquê de rosas vermelhas. Ele tinha a intenção de presentear a esposa ao término da partida para tentar amansá-la, uma vez que tinha saído para o jogo sem a autorização da patroa. Mas a cada gol, ele comemorava girando o tal do buquê, logo, como foram seis os tentos, não sobrou muita coisa para a patroa, mas eu ganhei uma rosa. E mais, ainda fui presenteado pelo Daca, ganhei um livro de contos do músico Jorge Coelho (cujas músicas eu gosto bastante e recomendo), o qual a capa traz uma bela gravura do grande Mausé.

Para finalizar a gloriosa noite, aquela Original bem gelada e um X-salada no HAuse, que diga-se de passagem, no seu novo endereço não tem nem sombra do charme que tinha à cabeceira da Ponte Hercílio Luz. Ali, onde fica agora, a gente nem corre risco de seqüestro relâmpago, mau pra caramba!

Resumo da ópera?

O mundo já não é grande coisa, mas quando se tem amigos de verdade por perto, até uma noite fria de terça-feira se torna um programa maravilhoso, destes que um dia ainda nossos filhos vão ouvir falar, pensando: “porra, que merda, esse velho vai falar de novo dessa história do ASA de Arapiraca...” . Tem uma bela música do Nando Reis que eu gosto muito, que diz: “o que me faz feliz são coisas pequenas”, mas vocês não imaginam como uma noite dessas, mesmo simples, é grandiosa na memória.

(PS: por favor, não deixem o Mausé saber que eu levei o Daca no jogo do Figueira, ou o rebento do grande artista plástico ilhéu corre o risco de não herdar nenhuma das suas maravilhosas telas.)

(PS2: Parabéns ao Ceará, que também veste preto e branco, ontem completou 96 anos, tem um rival que veste azul e cujo mascote é um leão, e para comemorar seu aniversário ganhou por 2 x 0 de outro time azul cujo mascote é um leão, e habitualmente treme quando vê um time alvinegro diante de si!)

6 comentários:

jean mafra em minúsculas disse...

ahahahahahhahahahahahahah - david, que histórinha hilária. mas, bicho, que fixação em detonar o rival do teu time, hein?!? (deixa pra lá, ora!)

Ronnie disse...

Aindo te convenço a ir no Scuna...

Lamaringoni disse...

ontem o tal do 1007 tava igual ao que eu imagino ser o scuna bar - só tiozão com mais de 40. e o jean mafra mandando ver na disco music... hahaha

Ronnie disse...

Só pra constar a média etária no Scuna oscila entre 30 e 35. Mais de 40 é sacanagem...ah, e a concorrência, ahhhh essa não atrapalha mesmo!

Clarice disse...

Que love.

Anônimo disse...

bicho tu parece que dá é o fundinho kkkkkkkkkkkkkk deixa de ser viado e vai trabalhar veio kkkkkkkk que teu time não paga tuas contas não ceboso rsrsrsrsr