quarta-feira, 4 de maio de 2011

Ao lado do lado vazio da cama


Desculpe não ter te abraçado na última noite, é que eu estava bêbado demais.

Não que eu não quisesse, mas estava muito bêbado.

Bêbado como estou agora.

E, quando bêbado, não consigo virar para o lado. Tenho que ficar olhando para cima, pra ver se o mundo pára de girar. Você não vai lembrar, mas, na noite da tequila, você também dormiu de barriga pra cima.

Mas, mesmo bêbado, me odiei profundamente. Diferente de você quando fica bêbada, eu me lembro de cada coisa que faço, quando alcoolizado. Até por isso, não faço nada errado quando fico bêbado. Meus erros, que sabemos, não são poucos, são todos sóbrios. Talvez seja por isso que tenha vivido os últimos meses a base de cerveja, para evitar cometer os mesmos velhos erros.

Claro, te fazer passar vergonha quando ficava bêbado, é algo muito errado, mas digamos que nada que eu tenha feito enquanto bêbado, tenha ferido o dia mais lindo da minha vida, o único em que jurei algo que realmente tive vontade de cumprir, embora não tenha cumprido.

Mas quando te vi, horas antes de ficar bêbado, quando fui te buscar e ainda estava sóbrio, não lembro se fui suficientemente efusivo para te deixar claro o quanto você estava linda, o quanto fiquei encantado com você, como se a visse pela primeira vez, mas uma primeira vez diferente, a primeira vez depois de ter te visto tantas e tantas vezes. Como é difícil sentir a sensação de primeira vez depois de ter visto tantas vezes a mesma pessoa. E isso, sóbrio ou bêbado, eu lembro bem, você tinha o dom de me fazer sentir. Sempre o mesmo calor gelado da primeira vez. Acho que, cada vez que eu via você, sentia a sensação da primeira vez. Acho não, tenho certeza. Talvez seja por que cada vez que via você, a sensação não fosse de primeira vez, e sim, de última.

Se não fui claro, serei agora, você estava linda. Linda, linda, linda! E sexy!

E, talvez também não tenha sido muito claro quanto a isso também, mas independente do estado em que você estava, da roupa que você usava, para mim você sempre esteve irresistivelmente sexy!

Mas esqueça da última noite, lembre das anteriores, as recentes. Se você fizer um esforço, vai lembrar que em todas elas, ainda que não tenham sido muitas, não tantas quanto um amor igual ao nosso merecia, em todas elas eu dormi abraçado com você. Quando não te abraçava, virava para o meu lado da cama e te puxava pelo braço, para que você me abraçasse.

Esse abraço no meio da noite era meu jeito desajeitado, esquisito de dizer para você, Sim, eu te amo, muito, tanto que não sei sequer dizer.

Desculpe não ter te abraçado na última noite, é que eu estava bêbado demais.

Não que eu não quisesse, mas estava muito bêbado.

Bêbado como estou agora.

Mas, agora, mesmo bêbado, virei para abraçar você.

Você não estava lá.

Virei para puxar o seu braço, para que você me abraçasse.

Você não estava lá.

Queria te dizer de novo do mesmo jeito desajeitado e esquisito, Eu te amo.

Mas você não estava lá.

Desculpe não ter te abraçado na última noite, é que eu estava bêbado demais.

Não que eu não quisesse, mas estava muito bêbado.

Bêbado como estou agora.

7 comentários:

Savannah disse...

Passando pelo seu blog....

Um abraço...

Bruna Rafaella disse...

Oi Don...
quanto tempo sem ler seus textos,
é tão triste!!!!
Agora bêbado?
que puta criatividade, essa ausência, o ácool dá essa sensação de que tá tudo bem e que eu não estou fazendo nada de errado, mas você olha a sua volta e está só, o amor é o menos...

Saudades!!!!


ps- não bebo.

Anônimo disse...

Triste realidade...

Abraço,
Flor*

mundo da lu disse...

oi, faz tempo, começo a sentir saudades, não sei se dos "amigos" blogueiros ou do meu próprio blog.
bom passar por aqui.
beijo
lu

Shuzy disse...

Pra onde ela foi?
=/

MRC disse...

...

Sabe... as vezes, você possui o dom de me deixar sem palavras.
E o que consigo dizer não passa de uma verborragia etílica, assim, fora de contexto.

Beijo grande.

Lucimara Deretti disse...

Passando pelo teu blog,
Que triste, mas tão real.